Fim dos orelhões no Brasil: colecionador do DF guarda 12 mil cartões como memória histórica
O ano de 2026 marca o fim de uma era icônica no Brasil: os orelhões começaram a ser retirados definitivamente das ruas de todo o país em janeiro, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com cerca de 38 mil aparelhos ainda espalhados pelo território nacional, essa medida simboliza a transição para tecnologias modernas de comunicação.
Uma coleção que resiste ao tempo
Em meio a essa mudança, o bancário Román Dario Cuattrin, residente no Distrito Federal, decidiu não vender sua impressionante coleção de aproximadamente 12 mil cartões telefônicos. Ele começou a colecionar em 1999, adquirindo itens em bancas de revista, feiras ou até mesmo encontrando cartões abandonados atrás dos orelhões. "Não, ela [a coleção] não tem preço. Não vendo, não tem preço", afirma Cuattrin, destacando o valor sentimental e histórico de seu acervo.
A coleção inclui uma variedade rica de temas, como:
- Animais e arte
- Serviços e propagandas de lojas
- Cartões que se transformam em jogos de dominó
- Representações de cidades brasileiras
- Figuras emblemáticas como Ayrton Senna e Burle Marx
- Cartões internacionais e da Criança Esperança
O declínio dos orelhões e o contexto atual
Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. No Distrito Federal, por exemplo, apenas dois aparelhos permanecem em funcionamento, conforme dados da Anatel. A retirada em massa começou agora porque, em 2023, as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis – Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica – chegaram ao fim.
Com o término dos contratos, essas empresas deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos. No entanto, a extinção não será imediata em todos os locais. Em janeiro, iniciou-se a remoção de carcaças e aparelhos desativados, mas os orelhões serão mantidos temporariamente em cidades sem rede de celular disponível, até 2028.
Dados históricos e contrapartidas
O processo de retirada já vinha ocorrendo gradualmente nos últimos anos. Dados da Anatel revelam que, em 2020, o Brasil ainda contava com cerca de 202 mil orelhões nas ruas, número que caiu drasticamente para os atuais 38 mil. Como contrapartida pela desativação, a agência determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país.
Atualmente, mais de 33 mil orelhões estão ativos, enquanto aproximadamente 4 mil estão em manutenção. Essa transição reflete a evolução das telecomunicações brasileiras, com os cartões telefônicos de Cuattrin servindo como um testemunho tangível de uma época que está chegando ao fim.