Orelhão Gigante de Itu: História e Simbolismo do Monumento de 7 Metros
Orelhão Gigante de Itu: História e Simbolismo do Monumento

Orelhão de Sete Metros: Símbolo Histórico de Itu e sua Origem

Quem visita a cidade de Itu, localizada no interior do estado de São Paulo, certamente já se deparou com uma atração peculiar na Praça Padre Miguel, no centro da cidade. Trata-se de um orelhão gigante, com impressionantes sete metros de altura, pintado em cores vibrantes: laranja, azul e vermelho. Instalado em 1973 pela antiga Telecomunicações de São Paulo (Telesp), este monumento não funciona como telefone, mas carrega consigo uma rica história que remonta aos primórdios da televisão brasileira.

A Conexão com o Humorista Simplício e a Fama dos Exageros

O orelhão gigante é uma homenagem direta ao personagem Simplício, interpretado pelo humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, que faleceu em 2004, aos 87 anos. Francisco foi o grande responsável por consolidar a fama de Itu como a cidade dos exageros, onde tudo é grande, título que persiste até os dias atuais. Em entrevista ao g1, seu filho, Francisco Alberto J. de Almeida, relembrou como a ideia surgiu.

Quando os orelhões começaram a ser instalados pelo Brasil, foi uma verdadeira febre. Eu era criança, mas lembro como isso aproximou as pessoas, afirmou. Ele explicou que o então ministro das Comunicações, coronel Hygino Corsetti, aproveitou o marketing e teve a ideia de criar o orelhão gigante, influenciado diretamente pelo personagem Simplício, que levava à televisão, na época em preto e branco, a ideia de que tudo em Itu era exageradamente grande.

O Impacto Turístico e as Reformas ao Longo dos Anos

A fama da cidade surgiu nos anos 1960, graças ao humorista e seu personagem, um caipira que contava histórias exageradas sobre sua terra natal. Essa brincadeira ganhou proporções gigantescas e impulsionou significativamente o turismo, atraindo visitantes interessados nos objetos fora de escala instalados na principal praça. Durante a inauguração em 1973, o ministro Corsetti encerrou seu discurso com a frase emblemática: O Brasil é grande, mas eu sei que Itu é maior. E a Telesp não podia deixar de instalar, na cidade, um orelhão à altura da sua fama.

O monumento passou por várias reformas ao longo das décadas. Em 2000, após a privatização da Telesp pela Telefônica, ele foi reformado. Em 2012, com a mudança do nome da operadora de telefonia fixa no Brasil, o símbolo foi novamente alterado. A última reforma ocorreu em 2019, quando o orelhão voltou a exibir as cores originais da Telesp e a histórica ficha telefônica. Em 2014, parte da estrutura despencou repentinamente, assustando moradores, mas ninguém ficou ferido. A prefeitura recolheu a peça para reparos, e o ponto turístico nunca perdeu seu significado, mantendo-se como um dos principais símbolos da grandiosidade ituana.

O Fim dos Orelhões Convencionais e o Legado do Monumento

Enquanto o orelhão gigante de Itu permanece como uma atração turística icônica, os orelhões convencionais caminham para a extinção no Brasil. Em 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos, após o fim das concessões de telefonia fixa. Segundo a Anatel, cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem em funcionamento no país. Em Itu, existem atualmente 88 unidades, número bem menor do que no passado, quando eles eram quase indispensáveis.

A remoção não será imediata em todas as cidades. Os orelhões só devem ser mantidos, até 2028, em locais onde não há cobertura de telefonia móvel. Isso contrasta com o monumento ituano, que, apesar de não funcionar, continua a atrair curiosos e a contar a história de uma era em que os telefones públicos eram essenciais para a comunicação.

Francisco Alberto refletiu sobre o legado de seu pai: Embora tudo isso seja parte de um saudoso passado, é satisfatório saber que meu pai faz parte dessa história, disse, emocionado. O orelhão gigante de Itu não é apenas uma peça de decoração urbana, mas um testemunho vivo da cultura popular brasileira e do humor que transformou uma cidade em símbolo nacional dos exageros.