Marquise do Ibirapuera reabre após seis anos com investimento milionário em revitalização
A Marquise do Parque Ibirapuera, um ícone da arquitetura moderna brasileira projetado por Oscar Niemeyer, foi reaberta oficialmente neste sábado (24), na véspera do aniversário de 472 anos da cidade de São Paulo. Após permanecer fechada por seis longos anos devido a problemas estruturais graves, o espaço retoma suas funções históricas de conexão, convivência e lazer no principal parque da capital paulista.
Uma história de degradação e recuperação
Inaugurada em 1954 junto com o parque, a Marquise possui aproximadamente 27 mil metros quadrados e sempre serviu como ligação entre diferentes pontos culturais e de recreação. No entanto, com o passar das décadas, a estrutura acumulou uma série de problemas, incluindo rachaduras significativas e infiltrações persistentes que comprometiam sua segurança.
Em novembro de 2017, a situação atingiu um ponto crítico quando parte do revestimento do teto desabou, levantando alertas sobre a integridade do local. Dois anos depois, trechos começaram a ser interditados preventivamente, e em 2020, o espaço foi totalmente bloqueado ao público devido ao risco iminente de colapso estrutural.
Obras de requalificação e investimento público
As obras de requalificação só tiveram início em 2024, executadas pela concessionária Urbia com recursos diretos da Prefeitura de São Paulo. O investimento total chegou a quase R$ 87 milhões, destinados especificamente à recuperação completa de diversos elementos:
- Piso e revestimentos
- Pilares e vigas estruturais
- Forro e cobertura
- Sistema de iluminação modernizado
Durante a cerimônia de reabertura, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) expressou sua satisfação: "Dia de alegria para nós, dia da gente poder fazer essa entrega importante desse patrimônio da cidade", afirmou o gestor municipal.
Novo design e divisão de espaços
O resultado da revitalização é uma Marquise com aspecto completamente renovado e uma nova organização interna do espaço. Uma área de 3.600 metros quadrados foi especialmente reservada para a prática de esportes radicais como BMX, skate e patins.
Além disso, foi criada uma zona exclusiva para crianças com cerca de 700 metros quadrados, pensada para oferecer segurança e diversão aos pequenos frequentadores. O engenheiro agrônomo Leonardo Parente Concada já planeja visitas com a família: "O espaço ficou incrível. Gente de todo tipo aqui. Com certeza a gente virá fazer vários passeios".
Opiniões divididas sobre o uso compartilhado
A nova divisão do espaço, no entanto, gera percepções distintas entre os usuários habituais do parque. Para a assistente de recursos humanos Renata da Cruz, a área destinada aos esportes pode ser insuficiente: "É muito pouco para a gente dividir com ciclista, com o pessoal do skate, com o pessoal dos patins. Então provavelmente pode ser que aconteça acidente", avalia.
Já o autônomo Anderson José de Paula acredita na viabilidade do uso compartilhado, desde que a sinalização seja aprimorada: "Tem uma placa que fala que é patins, skate, BMX, mas não está muito claro ainda. Acho que, com o decorrer do tempo, tudo vai se ajustar".
Regulamentação e expectativas futuras
A prefeitura publicou um decreto específico autorizando práticas esportivas na Marquise e estabeleceu regras detalhadas de uso para garantir a convivência harmoniosa entre todos os frequentadores. As normas incluem:
- Definição de áreas exclusivas para diferentes atividades
- Orientações sobre preservação da estrutura original
- Restrição de bicicletas maiores na área infantil
- Regulamentação do volume de caixas de som
- Normas para realização de pequenos eventos
Entre os skatistas, a reabertura é celebrada com entusiasmo. O jornalista Fabio Bolota ressalta a importância histórica do local: "O Parque Ibirapuera abraçou a comunidade do skate desde sempre, foi o berço do skate, desde os anos 70. Mesmo nos altos e baixos, todo mundo se encontrava aqui para manter a chama acesa".
Para frequentadores de longa data como o geógrafo Jorge Patrick, a reabertura tem sabor de reencontro: "É tradicional, a gente vem desde criança aqui, sempre aproveitou". A aposentada Roseli Martins, que faz aulas de dança no parque, comemora especialmente a volta do espaço coberto: "Tava fazendo falta a Marquise", principalmente em dias chuvosos.
Após seis anos de espera, a Marquise do Ibirapuera retorna ao cotidiano paulistano como um espaço democrático e multifuncional, resgatando não apenas um marco arquitetônico, mas também um ponto vital de encontro, esporte e lazer para toda a população da cidade.