Encontro inesperado com sucuri em cachoeira do Amazonas viraliza nas redes sociais
Um vídeo que está circulando amplamente nas redes sociais capturou o momento em que um grupo de turistas se deparou com uma sucuri durante um passeio na cachoeira da Neblina, localizada em Presidente Figueiredo, no interior do estado do Amazonas. As imagens registram inicialmente o animal nas águas da cachoeira e, posteriormente, já fora da água, posicionado entre as raízes de uma árvore.
Guia de ecoturismo intervém para garantir segurança
No vídeo, o guia de ecoturismo Mário Sérgio aparece manuseando a sucuri, aproximando-a dos turistas para uma observação mais próxima. Uma das pessoas do grupo chegou a tocar na cobra, enquanto os demais assistiam à cena com uma mistura de curiosidade e cautela. Em entrevista ao g1, o guia explicou que sua ação teve como objetivo principal retirar o animal de uma área com alta circulação de pessoas.
Segundo Mário Sérgio, a sucuri estava sendo cercada e perturbada por turistas, o que poderia resultar em riscos significativos tanto para o animal quanto para os visitantes. Ele afirmou que realocou a cobra para um ponto mais abaixo da cachoeira, considerado mais seguro e com menor fluxo de pessoas.
"Eu acabei realocando ela pra outro local, porque muita gente acaba falando besteira, dizendo que tá maltratando, dizendo que tá matando. A cachoeira é habitat de cobra, e eu simplesmente só tirei ela dali do caminho, porque tinha muita gente perturbando ela. Eu cheguei lá, já tinha um monte de gente em cima. Eu simplesmente peguei e tirei. Na hora que eu tirei, veio muita gente pra cima e eu levei ela mais pra baixo da cachoeira. Foi um local onde ninguém vai, um local mais seguro", relatou o guia, que possui 18 anos de experiência em ecoturismo e manejo de animais silvestres.
Ibama avalia que não houve crime ambiental
O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, realizou uma análise preliminar do vídeo e indicou que, em princípio, o caso não caracteriza crime ambiental. "Aparentemente houve um manuseio temporário do animal para garantir a segurança das pessoas e, em seguida, a devolução do animal à natureza. Nesse contexto, não há, em princípio, caracterização de crime ou infração ambiental", explicou Araújo.
O superintendente ressaltou que o manuseio de animais silvestres deve ser realizado exclusivamente por pessoas capacitadas e autorizadas, e que uma conclusão definitiva sobre o episódio depende de uma apuração mais detalhada. Ele também destacou que a simples exibição de animais silvestres em vídeos não configura crime ambiental por si só.
Especialista alerta para riscos e defende educação ambiental
Para o biólogo Ildean Fernandes, o episódio reforça a necessidade urgente de ações contínuas de educação ambiental em áreas turísticas. Segundo ele, a sucuri não é um animal naturalmente agressivo, mas pode reagir de forma defensiva quando perturbada, o que torna seu comportamento altamente imprevisível em situações de estresse.
"Quando é retirada à força do ambiente, contida ou exibida para fotos, ocorre a ativação imediata da resposta ao estresse, levando à liberação de hormônios como corticosterona. Esse processo reduz a capacidade de avaliação do risco e pode desencadear reações defensivas extremas, como mordidas repetidas, movimentos bruscos e tentativas de constrição", alertou o especialista.
Fernandes defende que áreas de visitação adotem protocolos claros de conduta, priorizando a observação passiva da fauna e evitando o manuseio de animais silvestres. "Em casos de avistamento, a recomendação é manter distância, silêncio e, quando necessário, utilizar rotas alternativas", finalizou o biólogo, enfatizando a importância do respeito ao habitat natural dos animais.
O episódio serve como um alerta para a necessidade de equilibrar o turismo com a preservação ambiental, garantindo a segurança tanto dos visitantes quanto da fauna local em regiões como o Amazonas, conhecido por sua rica biodiversidade.