Elefante-marinho-do-sul é encontrado debilitado e morre na Praia da Aruana em Aracaju
Um elefante-marinho-do-sul macho, identificado como juvenil, foi encontrado em estado crítico na Praia da Aruana, localizada em Aracaju, na última terça-feira. O animal apresentava sinais evidentes de debilitação, incluindo apatia acentuada e um baixo escore corporal, conforme divulgado pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) nesta sexta-feira, dia 23.
Condição grave e esforços de reabilitação
O elefante-marinho pesava apenas 44,7 kg, um valor alarmante para a espécie, e foi submetido a uma série de exames clínicos e laboratoriais por uma equipe multidisciplinar composta por médicos veterinários da FMA e do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-SEAL). Apesar dos intensos esforços de estabilização e reabilitação, o animal não resistiu e veio a óbito.
As investigações preliminares sugerem que a morte pode estar relacionada a um quadro de inanição e caquexia, uma condição caracterizada pela ausência de camada muscular e magreza excessiva. Além disso, foi constatada a ausência total de conteúdo alimentar no estômago, indicando que o animal provavelmente passou um longo período sem se alimentar adequadamente.
Migração anômala e ocorrência incomum
A coordenadora do PMP-SEAL, Elaine Knupp de Brito, destacou que Sergipe não é uma área de ocorrência natural para o elefante-marinho-do-sul. A distribuição regular da espécie concentra-se na região Sul do Brasil, com ocorrências mais frequentes na Patagônia argentina.
"O elefante-marinho pode ter chegado ao litoral sergipano transportado por correntes marinhas. Além disso, por se tratar de um indivíduo juvenil, há a possibilidade de inexperiência em seu processo migratório e de caça, fatores que podem ter contribuído para a debilitação e posterior morte do animal", explicou a especialista.
Características da espécie e registros no Brasil
O elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) é o maior dos pinípedes, com machos adultos podendo atingir até 5 metros de comprimento e pesar 4 toneladas. Filhotes nascem com cerca de 40 kg e 1,30 metro. No Brasil, a espécie não se reproduz e é considerada visitante ocasional, com registros esporádicos em estados como:
- Ceará
- Pernambuco
- Alagoas
- Bahia
- Espírito Santo
- Rio de Janeiro
- São Paulo
- Paraná
- Santa Catarina
- Rio Grande do Sul
Orientações importantes para a população
A FMA esclarece que pinípedes, como elefantes-marinhos, lobos-marinhos e focas, podem utilizar praias e costões rochosos para descanso natural. Em caso de avistamento, a população deve seguir estas recomendações:
- Manter uma distância mínima de 10 metros do animal
- Afastar animais domésticos da área
- Não alimentar ou tentar forçar o animal a retornar ao mar, pois ele pode estar descansando ou trocando a pelagem
- Acionar imediatamente a Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones 0800 079 3434 ou (79) 99130-0016
É fundamental lembrar que importunar animais marinhos constitui crime ambiental, reforçando a necessidade de respeito e proteção à fauna.