Cadela cega abandonada em igreja de Curitiba encontra novo lar após bilhete comovente
Um caso de abandono animal comovente mobilizou protetores e voluntários em Curitiba, capital do Paraná. Na tarde de terça-feira, 20 de agosto, uma cadelinha cega de aproximadamente sete anos foi deixada na Paróquia Nossa Senhora das Mercês com um bilhete emocionante que pedia acolhimento para o animal.
O abandono e o pedido de ajuda
O diácono Jorge Antônio Ferreira de Andrade, que atua na área de serviço social da igreja, foi alertado por uma coordenadora sobre uma "doação fora do comum" deixada no fim de um corredor. No local, ele encontrou uma caixa própria para animais, bolsas, ração, brinquedos, roupinhas e um bilhete manuscrito.
Na mensagem, a pessoa explicava a situação delicada:
- A cadela, chamada Chica, ficou cega aos cinco anos de idade de forma irreversível
- A tutora original havia viajado para Portugal, deixando o animal com a autora do bilhete
- A pessoa estava com problemas de saúde, prestes a realizar uma cirurgia delicada, e se mudaria para Belo Horizonte
- Ela havia recebido "muitos nãos" para adoção da cachorrinha
- O animal estava com vacinas em dia e havia passado por atendimento veterinário recentemente
O bilhete terminava com um apelo emocionante: "Peço que orem por mim, se possível. É uma cirurgia muito delicada. Agradeço imensamente. Cuide dela, por favor, por Deus".
A mobilização dos voluntários
Sem saber como proceder, o diácono entrou em contato com Jackeline Medeiros Batista, administradora de empresas e colega. "Liguei e perguntei: 'Você conhece alguma instituição que possa recolher um cachorro? Chegou aqui uma doação inusitada e não sei o que fazer'", relatou Jorge.
Jackeline imediatamente compartilhou a foto da cachorrinha em grupos de protetores de animais. A história comoveu a comunidade, e em poucas horas uma protetora se ofereceu para acolher o animal.
Um novo começo para a cadela
Ainda no mesmo dia, a cadela foi levada para a casa de Adriana Maria, onde ganhou não apenas um novo lar, mas também um novo nome. "Agora ela vai pro pet shop, vai ter o dia de princesa dela merecido, e vou tentar levar ela num especialista pra ver se ela é totalmente cega, o que eu acho que não", contou Adriana.
A nova tutora revelou ainda uma curiosidade: "E não é mais Chica. Chica é passado. Eu acho até que ela nem gostava do nome, porque a gente chamou de Chica e ela nem atendia, mas chamei de Bia e ela veio correndo".
Reflexão sobre o abandono animal
Para Jackeline, o caso ilustra uma realidade comum no universo da proteção animal. "Muitas vezes, num ato de desespero, a pessoa abandona. Hoje a gente tem muitas pessoas envolvidas com a causa. Às vezes o cachorro está doente e a pessoa abandona... Mas pede ajuda, nós vamos ajudar", afirmou a voluntária.
A história da cadela Bia, antes Chica, mostra como a solidariedade e a rede de apoio entre protetores podem transformar situações difíceis em finais felizes. A mobilização rápida garantiu que o animal, que havia sido deixado na porta da igreja em circunstâncias tristes, encontrasse um lar amoroso e cuidados adequados para sua condição especial.