Vendedor com artrose denuncia agressão por agente municipal durante limpeza noturna no Arpoador
Uma ação de limpeza realizada na madrugada de segunda-feira (19) na Praia do Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro, terminou com uma grave denúncia de violência e suposto abuso de autoridade. O vendedor ambulante Walter Alves de Souza, que possui dificuldade de locomoção comprovada por laudo médico devido a artrose nos joelhos, afirma ter sido agredido com golpes de cassetete por um agente da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) por volta das 2h30.
Fratura no braço e atendimento hospitalar
Segundo o relato detalhado da vítima, Walter sofreu uma fissura no braço esquerdo ao tentar se proteger das agressões. Ele foi atendido no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde precisou imobilizar o braço com gesso após a realização de um exame de raio X. O vendedor apresentou marcas visíveis no corpo, conforme registrado em imagens divulgadas.
Sequência dos fatos durante a abordagem
De acordo com Walter, ele chegou à praia por volta das 23h de domingo (18), acompanhado de uma amiga, e permaneceu sentado na areia, próximo ao ponto da Polícia Militar e à base da Guarda Municipal. Ele enfatiza que não consumia bebida alcoólica no momento. Na madrugada, agentes iniciaram a retirada das pessoas da areia para a realização da ação de limpeza da Comlurb.
Inicialmente, o pedido para deixar o local foi feito de forma educada e prontamente atendido por Walter. No entanto, ao se deslocar com dificuldade carregando um cooler, ele parou momentaneamente próximo a um palanque montado na areia. Foi nesse instante que, segundo sua narrativa, um agente da Seop fez uma abordagem agressiva, ordenando que ele saísse imediatamente e ameaçando que, caso não obedecesse, sairia por mal.
Momento das agressões e falta de intervenção
Walter relata que explicou estar se retirando e pediu para ser tratado com respeito. Um segundo agente interveio de forma cordial, explicou o procedimento e orientou que ele aguardasse no calçadão, como os demais frequentadores. A orientação teria sido imediatamente seguida.
Contudo, ainda segundo a denúncia, o primeiro agente retornou alterado e passou a agredir Walter com golpes de cassetete, atingindo principalmente os braços enquanto ele tentava se defender. O homem afirma que nenhum dos outros agentes presentes interveio para interromper as agressões. Com medo de novos ataques, inclusive na região da cabeça, Walter diz que ficou parado por alguns instantes, em estado de pânico, antes de finalmente deixar a praia.
Contexto pessoal e motivações da vítima
Walter Alves de Souza afirma que costuma frequentar o Arpoador à noite por considerar o local tranquilo e com policiamento ostensivo. Segundo seu relato, ele enfrenta crises de ansiedade e depressão e buscava contato com a natureza como uma forma de cuidado com a saúde mental. A única testemunha direta do ocorrido, conforme ele, é a amiga que o acompanhava.
Registro policial e investigações em andamento
O caso foi registrado na 14ª DP (Leblon), e a Polícia Civil solicitou exame de corpo de delito para apurar as lesões. Walter também mencionou que tentou identificar quem seria o responsável pela equipe da Seop ou da Guarda Municipal no momento da ocorrência, mas afirma não ter recebido essa informação.
Versão da Secretaria Municipal de Ordem Pública
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Ordem Pública apresentou uma versão diferente dos eventos. Segundo a pasta, durante a retirada de pessoas da areia para a limpeza no Arpoador, um cidadão acompanhado de uma mulher se recusou a deixar o local após solicitação dos agentes. A Seop afirma que o homem teria insultado os servidores municipais e aceitado se retirar cerca de 30 minutos depois do primeiro pedido.
Ainda de acordo com a secretaria, as agressões verbais teriam continuado, o que levou um dos agentes a fazer uso da força. A pasta ressaltou que o procedimento operacional padrão em casos de desacato é a condução imediata do envolvido à delegacia. Para apurar a conduta do agente, um processo administrativo foi aberto, e o servidor já foi afastado das atividades de rua, conforme informado pela Seop.
O caso segue sob investigação, com divergências entre o relato da vítima e a versão oficial, enquanto a sociedade aguarda os desdobramentos das apurações policiais e administrativas.