Polícia solicita prisão de suspeito por feminicídio no bairro da Saúde em São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo formalizou um pedido de prisão contra o principal suspeito de assassinar sua namorada, uma mulher de 34 anos, no bairro da Saúde, localizado na Zona Sul da capital paulista. O crime brutal ocorreu no último domingo, dia 1º, e expõe graves falhas no sistema de proteção às vítimas de violência doméstica.
Vítima tinha medida protetiva não efetivada após reconciliação
A mulher, cuja identidade não foi divulgada, já havia solicitado uma medida protetiva de urgência contra seu ex-namorado, identificado como André de Lima Torres Pereira. No entanto, conforme apurado pelas autoridades, a ordem judicial não chegou a ser formalmente intimada porque o casal reatou o relacionamento. Essa reconciliação impediu que a Justiça de São Paulo desse seguimento ao processo, deixando a vítima desprotegida em um momento crítico.
André possui um histórico alarmante de violência contra mulheres. Em 2024, ele foi denunciado por outras duas vítimas, chegou a ser preso, mas posteriormente colocado em liberdade. A defesa do suspeito não foi localizada para comentar o caso, que agora é investigado através de um inquérito policial instaurado pela 2ª Delegacia de Defesa da Mulher Sul.
Cena do crime revela brutalidade e criança de 2 anos é socorrida
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima foi encontrada nua e deitada dentro da residência, com marcas evidentes de agressão no rosto e coberta por um lençol. A filha do relacionamento anterior da mulher, uma menina de apenas 2 anos, também estava no imóvel e foi resgatada com sinais de violência.
A criança foi encontrada sem roupa no berço, ao lado da cama onde estava a mãe, e foi imediatamente encaminhada para atendimento médico. Ela está sendo avaliada para possíveis casos de violência sexual, conforme informado pelas autoridades policiais. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania comunicou o ocorrido ao Conselho Tutelar de Vila Mariana, que agora acompanha a situação da menor.
Pai da vítima relata histórico de violência e descreve cena do crime
Em depoimento à polícia, o pai da mulher assassinada descreveu um relacionamento marcado por conflitos constantes entre a filha e o suspeito. Na sexta-feira, dia 30, ele testemunhou uma discussão mais intensa entre o casal e chegou a ameaçar chamar a polícia. Preocupado, no sábado ele foi até a casa da filha, mas encontrou o imóvel trancado.
Sem conseguir estabelecer contato por mensagens ou ligações, o homem decidiu acionar a Polícia Militar. Os agentes arrombaram a porta e encontraram a cena chocante: mãe e filha dentro da residência, ambas com sinais claros de violência. A porta dos fundos estava aberta, e a suspeita é de que o autor tenha fugido pelo quintal, pulando muros de propriedades vizinhas.
A motocicleta da vítima havia desaparecido e foi posteriormente localizada na casa da mãe do suspeito, em Diadema, na região metropolitana de São Paulo. A polícia trabalha com a hipótese de que a menina tenha permanecido cerca de dois dias sem alimentação e sem cuidados adequados, após o crime.
Antecedentes do agressor e falhas no sistema de proteção
André de Lima Torres Pereira já havia sido acusado de violência doméstica contra outras duas mulheres em 2023 e 2024. Em um desses casos, ele chegou a ser preso e foi alvo de medida protetiva, mas isso não impediu que novas agressões ocorressem. A vítima do feminicídio também havia registrado um boletim de ocorrência contra ele em outubro de 2025, quando ele invadiu a casa dela pelos fundos e fugiu pela janela do quarto.
Na ocasião, ela pediu uma medida protetiva, mas, segundo a polícia, a intimação não foi formalizada porque os dois reataram. Esse ciclo de violência e reconciliação ilustra um padrão perigoso que, infelizmente, culminou em tragédia. A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota, que a perícia e o IML foram acionados, e o caso foi registrado como feminicídio e violência doméstica.
A menina de 2 anos foi atendida pelo Samu no local, levada à UPA da Vila Mariana e depois transferida para o Hospital da Mulher. Atualmente, ela está sob os cuidados provisórios de um primo da vítima, enquanto as investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes desse crime que chocou a comunidade.