Uma mulher de 32 anos foi presa no sábado (10) na rodoviária de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata de Minas Gerais, após cometer graves agressões contra a própria filha, uma criança de apenas oito anos de idade. O caso, que chocou a região, envolveu mais de 40 golpes com um objeto semelhante a um cinto e a divulgação do vídeo da violência pela própria autora.
Detalhes da agressão e prisão
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), a mulher foi detida e deu entrada no Presídio de Ubá na manhã de domingo (11). A agressão física teria ocorrido na quinta-feira (1º), mas as imagens começaram a circular nas redes sociais durante o fim de semana, gerando grande comoção.
O registro policial foi feito no domingo (4), em São Geraldo, cidade vizinha a Visconde do Rio Branco, depois que uma denúncia chegou ao Conselho Tutelar local. As cenas de violência foram compartilhadas pela mãe em um grupo de família no aplicativo de mensagens. No vídeo, é possível ver a mulher agredindo e xingando a criança, que estava sem roupas, enquanto fazia ameaças.
Entre os xingamentos, a agressora disse: “Eu te pus no mundo, eu te tiro, vagabunda. Manda ‘pra’ família falar que eu tô arrebentando ela aqui, ó. Cala a boca que eu vou dar na cara”.
Criança afastada e risco de perda do poder familiar
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) tomou medidas urgentes para proteger a vítima. Foi enviado um pedido à Justiça para que a menina permaneça em abrigo institucional, afastada do convívio familiar. A promotoria também solicitou que a mãe apresente defesa e passe por avaliação psicológica.
Conforme o MPMG, como nenhum familiar se dispôs a acolher a criança, o retorno ao lar representa um risco claro à sua integridade física e psicológica. Caso não seja encontrada uma possibilidade de retorno seguro à família, a menina poderá ser encaminhada para adoção.
A conselheira tutelar Amandha Ceribelli relatou que a mãe justificou a brutalidade alegando que a filha “fez uma fofoca” e que “não poderia entrar no mundo errado”, afirmando que “estava corrigindo ela daquela forma”. Até o momento da agressão, não havia registros de denúncias anteriores contra a família. A criança vivia com a mãe e o padrasto.
Como denunciar casos de violência contra crianças
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe expressamente castigos físicos, e a conduta pode configurar os crimes de lesão corporal ou maus-tratos. A pena para maus-tratos contra menor de 14 anos varia de dois a cinco anos de reclusão, podendo resultar também na perda do poder familiar.
É dever de todos proteger crianças e adolescentes. Confira os principais canais para denúncias, que são anônimos e gratuitos:
- Disque 100 (Direitos Humanos): Atendimento 24 horas por dia, todos os dias da semana.
- Polícia Militar (190): Para casos que necessitem de socorro imediato.
- Conselho Tutelar da sua cidade: Órgão especializado em proteger os direitos de crianças e adolescentes.
- 181 – Disque-Denúncia: Atua no combate à violência doméstica em parceria com delegacias e conselhos.
- Ministério Público: Todo estado possui um Centro de Apoio Operacional (CAO) para garantir esses direitos.
A menina agredida foi acolhida pelo Conselho Tutelar, recebeu atendimento médico em um posto de saúde e foi levada a um abrigo, onde permanece sob proteção do Estado.