Estudante de 19 anos é denunciado por importunação sexual a alunas da UnB no Distrito Federal
Alunas da Universidade de Brasília (UnB) registraram uma ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal nesta semana, denunciando sucessivos atos de importunação sexual cometidos por um homem de 19 anos. Segundo os relatos, o rapaz – que é aluno do curso de graduação a distância em história do Centro Universitário IESB – enviava mensagens de cunho sexual, ofensas e até fotografias íntimas não solicitadas para estudantes da UnB e de outras instituições de ensino superior.
Vítimas se unem e coletam dezenas de relatos em menos de uma semana
As vítimas começaram a pedir informações em grupos de mensagens e perfis em redes sociais, conseguindo colher dezenas de relatos em menos de sete dias. Os casos variam desde abordagens consideradas "esquisitas" até situações graves de importunação sexual, perseguição e até violência física. Uma estudante, que preferiu não ter sua identidade divulgada, contou que o suspeito iniciava as conversas pelo Instagram com mensagens aparentemente normais, mas que o tom e o conteúdo iam se tornando progressivamente mais agressivos e inadequados.
"Eu fiquei chocada, achei estranho isso ter acontecido comigo. Estranho e terrível. Mas foi piorando, e eu fui vendo todo mundo que tinha sido vítima também", relatou a jovem em depoimento. No início da semana, três das vítimas compareceram à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher na Asa Sul (DEAM I), onde registraram um boletim de ocorrência pelos crimes de importunação sexual, lesão corporal e homotransfobia. A Polícia Civil confirmou que está investigando o caso.
Vítima recebe vídeo sexual como "presente de aniversário"
As estudantes afetadas criaram um grupo em uma rede social para compartilhar relatos, discutir estratégias de apoio mútuo e alertar outras alunas sobre os riscos. Uma das vítimas revelou que, mesmo após cortar contato com o agressor, continuou a receber abordagens agressivas. "Eu parei de seguir ele no Instagram. No meu aniversário, eu estava viajando para São Paulo, cheguei cansada e abri o celular. E ele tinha mandado um vídeo de visualização única se masturbando, falando que era meu presente", desabafou a jovem.
As vítimas compartilharam com a reportagem trechos das mensagens enviadas pelo estudante, nas quais ele utiliza termos vulgares e faz declarações como dizer que deixaria a vítima "desacordada" e que ela teria que "gemer seu nome".
Relato inclui agressão física durante evento estudantil
Uma das vítimas relatou ter sofrido agressão física pelo jovem durante uma viagem ao Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em julho de 2025. Segundo o depoimento, o suspeito teria se irritado após ser alertado sobre comentários inapropriados feitos a uma das congressistas. "Na espera da fila para o jantar, de repente ele perguntou para o grupo se alguém fazia sexo. Uma menina estranhou a pergunta, riu sem jeito, ele começou a xingar ela apontando o dedo na cara", descreveu a vítima.
O relato continua: "No último dia, tentei conversar com ele de manhã, mas ele foi extremamente rude e partiu para cima de mim com um soco na cara. Meu dedo ficou torto, desde então". Este episódio de violência física foi incluído na denúncia registrada na delegacia.
Instituições de ensino se pronunciam sobre o caso
Em nota oficial ao g1, o Centro Universitário IESB informou que o caso não chegou ao conhecimento da faculdade através de canais formais de denúncia, mas destacou que dispõe de estrutura institucional específica para apurar "condutas incompatíveis com as normas acadêmicas", observando rigorosamente os princípios do contraditório e da ampla defesa. A instituição afirmou que mantém canais permanentes de acolhimento e escuta, como a Ouvidoria, e reiterou que não tolera qualquer forma de assédio, discriminação ou violência.
A Universidade de Brasília também se manifestou, afirmando que oferece "serviços de atendimento e acompanhamento psicológico por meio de sua Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária". A UnB orientou que pessoas interessadas no atendimento devem procurar o acolhimento psicossocial da Diretoria pessoalmente ou através do e-mail coapsicossocial@unb.br.
A identidade do estudante foi mantida em sigilo pela reportagem para preservar as vítimas e as investigações, que ainda se encontram em fase inicial. O g1 continua tentando contato com o homem apontado como agressor, bem como com sua família e defesa técnica.



