Paraíba registra 4 mortes de pessoas trans em 2025, segundo dados da Antra
Paraíba tem 4 mortes de pessoas trans em 2025, diz Antra

Paraíba registra quatro assassinatos de pessoas trans em 2025, aponta relatório da Antra

Um levantamento divulgado pela Associação Nacional de Trans e Travestis (Antra) nesta segunda-feira (26) revelou que quatro pessoas transsexuais foram mortas na Paraíba durante o ano de 2025. Os dados, que colocam o estado em situação preocupante, mostram um número idêntico ao registrado em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Norte no mesmo período.

Crimes com requinte de crueldade em locais públicos

Karina Espíndola, assessora técnica da Coordenadoria de promoção à cidadania LGBT da Paraíba, destacou em entrevista à TV Cabo Branco que muitos desses assassinatos ocorrem em lugares públicos, como BRs, orlas e praças. Ela enfatizou a gravidade dos crimes, que frequentemente apresentam requinte de crueldade, contribuindo para que o Brasil mantenha uma triste liderança há 17 anos consecutivos como o país que mais mata homens e mulheres trans no mundo.

Espíndola também alertou para questões que podem levar a uma subnotificação dos casos, incluindo dificuldades com o uso do nome social, a necessidade de famílias requererem justiça e a complexidade dos processos até a conclusão dos inquéritos.

Brasil lidera ranking mundial com 80 mortes em 2025

Em todo o Brasil, o relatório da Antra registrou 80 mortes de pessoas trans em 2025, representando uma queda significativa em relação aos 122 casos de 2024. No entanto, apesar da redução, esses números ainda mantêm o Brasil no primeiro lugar mundial em assassinatos de pessoas trans, um cenário que preocupa especialistas e ativistas.

O perfil das vítimas segue um padrão alarmante: a maioria são jovens entre 13 e 29 anos, pessoas empobrecidas e em contexto de alta vulnerabilidade social. Muitas utilizam o trabalho sexual como fonte primária ou secundária de renda, refletindo as desigualdades estruturais que afetam essa população.

Desigualdade racial entre as vítimas

O levantamento também destacou a desigualdade racial nos casos de violência. Entre os 57 casos em que foi possível determinar a raça ou cor das vítimas, aproximadamente 70% eram pessoas trans negras, evidenciando a interseccionalidade de discriminações que agravam os riscos enfrentados por essa comunidade.

Distribuição dos casos por estados brasileiros

Os dados da Antra detalham a distribuição das mortes de pessoas trans em 2025 por estados e no Distrito Federal:

  • Minas Gerais e Ceará: 8 casos cada
  • Bahia e Pernambuco: 7 casos cada
  • Maranhão, Pará e Goiás: 5 casos cada
  • Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo: 4 casos cada
  • Mato Grosso e Rio de Janeiro: 3 casos cada
  • Piauí e Rio Grande do Sul: 4 casos cada
  • Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul: 3 casos cada
  • Amazonas, Amapá, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe: 1 caso cada
  • Acre, Piauí, Rondônia, Tocantins e Roraima: não foram encontrados registros

Esses números reforçam a urgência de políticas públicas mais eficazes para proteger a população trans no Brasil, combatendo a violência e promovendo a inclusão social.