Morre irmã Henriqueta, defensora dos direitos humanos, em acidente na BR-230
Irmã Henriqueta, símbolo da luta no Marajó, morre em acidente

A defensora dos direitos humanos Irmã Marie Henriqueta Cavalcante faleceu neste sábado, 10 de maio, vítima de um acidente de carro na BR-230, a rodovia Transamazônica. Ela viajava de Campina Grande para João Pessoa quando o trágico incidente ocorreu.

Uma vida dedicada aos mais vulneráveis

Irmã Henriqueta era uma figura central na luta contra violações de direitos, especialmente no arquipélago do Marajó, no Pará. Ela presidia o Instituto Dom Azcona, entidade que homenageia o bispo emérito Dom José Luis Azcona, falecido em 2024. Juntos, eles se tornaram símbolos da batalha contra o tráfico humano e a exploração sexual infantil na região.

Em nota, o Instituto Dom Azcona lamentou profundamente a perda. "Irmã Henriqueta certamente está em paz na luz eterna, junto ao amado bispo Dom Azcona", expressou a instituição. O texto destacou que a religiosa abriu mão de uma vida pessoal para se dedicar integralmente aos que mais precisavam.

Trajetória marcada por ameaças e reconhecimento

Sua atuação como ativista começou em 2009 e, devido à natureza perigosa de seu trabalho, ela sofria ameaças de morte constantes. Por esse motivo, estava incluída no programa de proteção a defensores de direitos humanos há mais de dez anos.

O compromisso de Irmã Henriqueta abrangia uma frente ampla de causas. Ela dedicava sua vida ao combate do abuso e exploração infantojuvenil, tráfico de pessoas, trabalho escravo e infantil, violência contra mulheres e idosos, além de racismo e discriminação em todas as suas formas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual ela era membro da Comissão de Justiça e Paz, já havia emitido uma nota em 2013 em solidariedade a ela. O documento reconhecia seu "esforço contínuo para enfrentar, principalmente, crimes que violam a vida de tantas crianças e adolescentes" e alertava para os riscos que sua vida corria.

Inspiração para a arte e legado inabalável

A coragem e a dedicação de Irmã Henriqueta transcenderam o ativismo e chegaram às telas do cinema. Sua trajetória inspirou a personagem da delegada vivida pela atriz Dira Paes no filme 'Manas'. A própria religiosa colaborou com a produção e celebrou seu impacto.

"Emociona ver nosso trabalho contra a exploração sexual no Pará nas telas, alcançando tanta gente", declarou Henriqueta em entrevista em abril de 2025, durante a estreia do filme em Belém.

Ao saber da notícia, Dira Paes se despediu da amiga nas redes sociais. "Me despeço da minha amiga Irmã Henriqueta, uma heroína brasileira que dedicou sua vida em defesa dos direitos das crianças e adolescentes", escreveu a atriz. "Dona de um dos abraços mais afáveis, uma confiança que motivava e uma força que se reconhecia só de olhar".

O legado de Irmã Marie Henriqueta Cavalcante permanece como um farol de resistência e compaixão na defesa intransigente dos direitos humanos no Brasil, especialmente para os mais vulneráveis da sociedade.