Macron acelera proibição de redes sociais para menores de 15 anos na França
França proíbe redes sociais para menores de 15 anos

França acelera proibição de redes sociais para crianças menores de 15 anos

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou uma medida drástica para proteger a infância e adolescência no país. Em um vídeo divulgado no sábado (24) pela emissora francesa BFM-TV, Macron afirmou que solicitou ao governo que acelere o processo legal para garantir que a proibição do uso de redes sociais por crianças menores de 15 anos possa entrar em vigor já em setembro, coincidindo com o início do próximo ano letivo.

"Cérebros das nossas crianças não estão à venda"

Em declarações contundentes, Macron deixou claro o propósito da medida. "Os cérebros das nossas crianças e dos nossos adolescentes não estão à venda", afirmou o presidente francês. Ele complementou: "As emoções das nossas crianças e dos nossos adolescentes não estão à venda nem podem ser manipuladas. Nem por plataformas americanas, nem por algoritmos chineses."

O anúncio ocorre em um contexto de crescente preocupação global com os efeitos das redes sociais na saúde mental dos jovens. Poucos dias antes, o governo britânico havia afirmado que consideraria proibir jovens adolescentes de usar essas plataformas, enquanto endurece leis destinadas a proteger crianças de conteúdos prejudiciais e do tempo excessivo diante das telas.

Dados alarmantes sobre uso de smartphones na França

De acordo com a autoridade de saúde da França, os números revelam uma realidade preocupante:

  • Um em cada dois adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia no smartphone
  • Cerca de 90% das crianças de 12 a 17 anos usam smartphones diariamente para acessar a internet
  • 58% delas utilizam os aparelhos especificamente para redes sociais

Um relatório publicado em dezembro pelo órgão destacou uma série de efeitos nocivos decorrentes do uso das redes sociais, incluindo:

  1. Redução significativa da autoestima
  2. Maior exposição a conteúdos associados a comportamentos de risco
  3. Influência negativa em casos de automutilação, uso de drogas e suicídio

Contexto legal e precedentes internacionais

O vídeo de Macron foi dirigido especificamente à deputada Laure Miller, autora do projeto de lei que será analisado em sessão pública na segunda-feira. O presidente francês foi enfático: "Estamos proibindo redes sociais para menores de 15 anos e vamos proibir celulares em nossos colégios de ensino médio". Ele acrescentou: "Acredito que esta é uma regra clara. Clara para nossos adolescentes, clara para as famílias, clara para os professores — e estamos avançando."

Várias famílias na França já haviam processado o TikTok por suicídios de adolescentes que, segundo elas, estão diretamente ligados a conteúdos prejudiciais disseminados pela plataforma. Este contexto jurídico fortalece a argumentação para medidas mais rigorosas de proteção aos jovens.

Experiência australiana e debates internacionais

A Austrália serve como um precedente importante nesta discussão. Desde que o país proibiu o uso de redes sociais por menores de 16 anos, empresas do setor suspenderam o acesso de aproximadamente 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a crianças.

A lei australiana gerou debates acalorados sobre múltiplos aspectos:

  • Uso responsável da tecnologia
  • Questões de privacidade digital
  • Segurança infantil online
  • Impacto na saúde mental dos jovens

Esta experiência tem levado outros países a considerarem medidas semelhantes, criando um movimento global de maior regulação das redes sociais em relação ao público infantil e adolescente. A iniciativa francesa, portanto, insere-se em um contexto internacional de crescente conscientização sobre os riscos que essas plataformas representam para o desenvolvimento saudável das novas gerações.