Minas Gerais registra queda em assassinatos, mas feminicídios alcançam nível recorde em 2025
O estado de Minas Gerais apresentou uma média de sete assassinatos por dia durante o ano de 2025, segundo dados compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) até o último 18 de janeiro. No total, 2.663 pessoas foram vítimas de crimes violentos no estado, incluindo feminicídio, homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.
Queda de 12,46% nas execuções em Minas Gerais
Em relação ao ano anterior, Minas Gerais registrou uma redução de 12,46% no número de execuções, ocupando a quinta posição geral no ranking nacional de mortes violentas. Apesar da queda, os números ainda são preocupantes, especialmente quando se observa o aumento nos casos de feminicídio, que bateram recorde no período.
Tendência nacional de redução nos assassinatos
Os dados do Ministério da Justiça indicam que a redução em Minas Gerais segue uma tendência observada em todo o Brasil. O país registrou 34.086 casos de mortes violentas intencionais em 2025, contra 38.374 em 2024, marcando o quinto ano consecutivo de queda. Desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, a redução acumulada chega a 25%.
O recorde histórico na série de dados foi registrado em 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Após esse pico, os números diminuíram em 2018 e 2019, subiram novamente em 2020 e caíram consistentemente desde então.
Cidades mineiras com mais ocorrências de assassinatos
As dez cidades de Minas Gerais com o maior número de registros de assassinatos em 2025 são:
- Belo Horizonte: 318 casos
- Betim: 110 casos
- Contagem: 104 casos
- Governador Valadares: 86 casos
- Ribeirão das Neves: 86 casos
- Uberlândia: 66 casos
- Araguari: 57 casos
- Santa Luzia: 55 casos
- Divinópolis: 46 casos
- Juiz de Fora: 36 casos
Belo Horizonte, Betim e Contagem destacam-se como os municípios com as maiores incidências de execuções no estado.
Fatores que explicam a redução nas mortes violentas
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que mudanças nas dinâmicas das facções criminosas contribuíram para a queda nos números. "Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente", afirma o especialista.
Alcadipani também menciona a influência de políticas públicas e o contexto eleitoral como fatores relevantes. "Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar", completa.
Apesar da tendência positiva na redução geral de assassinatos, o aumento nos casos de feminicídio em Minas Gerais em 2025 levanta alertas sobre a necessidade de medidas específicas para combater a violência contra as mulheres, evidenciando um desafio persistente no cenário da segurança pública estadual e nacional.