Um mês de desaparecimento: irmãos seguem sem paradeiro no Maranhão
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completam exatamente um mês nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, na cidade de Bacabal, no Maranhão, sem que qualquer pista concreta sobre o paradeiro das crianças tenha sido encontrada. A situação mantém familiares e autoridades em alerta máximo, enquanto uma força-tarefa multidisciplinar continua suas operações na região.
Investigação robusta mas sem conclusões
Em entrevista exclusiva, o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, afirmou que a investigação segue em andamento sem conclusões definitivas. "Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas", declarou o delegado, ressaltando a complexidade do caso.
O inquérito policial, conduzido por uma comissão especial da Polícia Civil formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, já ultrapassa 200 páginas de documentação. Diversas diligências foram realizadas ao longo deste período, incluindo reconstruções detalhadas e análises técnicas minuciosas.
Operações de busca com tecnologia avançada
As equipes do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro têm realizado varreduras exaustivas em áreas de mata fechada e pontos alagados da região. Imagens exclusivas mostram bombeiros acompanhados de cães farejadores atuando às margens do rio Mearim, na tentativa de localizar qualquer vestígio que possa indicar o paradeiro das crianças.
Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de difícil acesso. A Marinha informou que foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente com equipamentos de alta tecnologia.
Recursos tecnológicos empregados
Além do grande efetivo humano, as buscas mobilizaram um amplo aparato operacional e tecnológico para varredura em áreas de mata e ambientes aquáticos:
- Drones equipados com câmeras termais capazes de identificar variações de calor
- Duas aeronaves do Centro Tático Aéreo para sobrevoo de áreas inacessíveis
- Side scan sonar da Marinha para varredura do leito do rio Mearim
- Mergulhadores, botes e lanchas para operações aquáticas
O desaparecimento e a pista da "casa caída"
Ágatha Isabelly, Allan Michael e o primo Anderson Kauan, de 8 anos, desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem de casa para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Três dias depois, Anderson foi encontrado por carroceiros em uma estrada do povoado Santa Rosa, mas as duas crianças menores seguem desaparecidas.
Uma das pistas mais importantes veio do próprio primo, que descreveu uma "casa caída" onde o grupo teria se abrigado. Segundo investigações, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola, mas considerando obstáculos naturais, a distância percorrida pode ter chegado a aproximadamente 12 km.
Protocolo Amber Alert ativado
A força-tarefa adotou o protocolo Amber Alert, sistema internacional de alerta em casos de desaparecimento de crianças. O mecanismo, ativado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, emite notificações em plataformas como Facebook e Instagram em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento, divulgando dados como nome, características físicas e contatos para informações.
Desmentidos e falsas informações
O delegado Ederson Martins desmentiu boatos que circulam nas redes sociais, incluindo um que alegava que R$ 35 mil teriam sido encontrados em conta da mãe das crianças. "Essa informação não procede, infelizmente com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco", afirmou o delegado, reforçando que a mãe e o padrasto não são foco da investigação.
A Polícia Civil de São Paulo também descartou a hipótese de que Ágatha e Allan teriam sido vistos em um hotel no Centro da capital paulista, após verificação in loco que constatou que as crianças encontradas não eram os irmãos desaparecidos.
Próximos passos da investigação
Segundo o delegado, a Polícia Civil está reunindo relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas, incluindo equipes que utilizaram cães e canoas. Esses documentos serão utilizados como prova material no inquérito.
"Só podemos dar uma conclusão no inquérito policial após esgotar todas as linhas e ter realmente a verdade real do que ocorreu", finalizou Martins, destacando que a principal linha de investigação continua sendo a de que as crianças se perderam na mata, mas que nenhuma hipótese está completamente descartada.
A força-tarefa permanece concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez, mantendo-se em prontidão para retomar buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.