Síndico acusado de matar corretora tentou silenciar moradores sobre desaparecimento
Um áudio revelador enviado pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, a moradores do condomínio que administrava em Caldas Novas, sul de Goiás, mostra a tentativa de abafar comentários sobre o desaparecimento da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, que ele posteriormente confessou ter assassinado. A gravação, com duração de 4 minutos e 49 segundos, foi fornecida ao g1 pela irmã da vítima, Fernanda Alves, e expõe a estratégia do acusado para controlar a narrativa durante as investigações.
Pedido explícito para evitar "fofocas"
No áudio, Cleber demonstra irritação com as discussões sobre o caso no grupo de mensagens "Amigos do Ametista", criado exclusivamente para moradores alinhados com sua gestão. "Eu 'tô sabendo desse caso, ontem conversei com alguns membros dessa família. Isso já tá trazendo bastante transtorno para nós aqui. E eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo", afirmou ele, classificando as conversas como meras "fofocas".
O síndico foi além, expressando seu desprezo por especulações: "Se tem uma coisa que eu odeio é fofoca. Eu odeio fofoca, que fique todos sabendo. Não me pergunte sobre vida alheia. Não quero que me contem sobre vida alheia". A mensagem foi enviada no início de janeiro, quando Daiane já estava desaparecida desde 17 de dezembro e o caso ganhava repercussão na mídia local.
Controle da informação e expulsão de morador
Segundo Fernanda Alves, o grupo era utilizado por Cleber como canal principal de comunicação condominial, onde ele filtravas informações antes de repassá-las aos demais residentes. A irmã da vítima relatou um episódio específico de censura: "O João postou uma reportagem. Ele apagou a reportagem e removeu João do grupo. Logo em seguida, ele mandou esse áudio para todo mundo do grupo".
No áudio, Cleber também tentou desassociar o condomínio do desaparecimento, argumentando que não havia provas de que Daiane havia sumido do prédio. "Não existe essa prova. Ninguém pode confirmar isso e já está praticamente atribuindo ao prédio uma responsabilidade que ele não tem", declarou, minimizando a gravidade da situação.
Duplicidade de comportamento e prisão
Enquanto pedia silêncio aos moradores, Cleber mantinha um comportamento aparentemente solícito com a família da vítima. Fernanda descreveu a dualidade: "Tem hora que eu penso assim... na hora em que ele conversou comigo e com o meu irmão, tratou nós com muita educação. Foi muito solícito. Mas a fala fria, né". Em conversas particulares, ele chegou a pedir que não associassem o desaparecimento ao condomínio, alegando prejuízos inclusive para a própria Fernanda, que possui um apartamento no local.
Cleber foi preso em 28 de janeiro e, durante a prisão, confessou o crime, levando a polícia até o local onde havia deixado o corpo. A defesa do síndico divulgou notas afirmando que ele colaborava com as investigações, mas não se manifestou sobre o conteúdo do áudio quando questionada pelo g1.
Contexto do crime e investigações
Daiane Alves desapareceu após entrar no elevador do prédio e seguir para o subsolo, sendo vista pela última vez em 17 de dezembro. As investigações, conduzidas pelo delegado André Luiz Barbosa, intensificaram-se após a comunicação da família à polícia no dia seguinte. O áudio enviado por Cleber ocorreu em um momento crucial, quando o mistério já era noticiado pela imprensa, mas antes de sua prisão e confissão.
O caso expõe não apenas um crime brutal, mas também as tentativas de manipulação da informação por parte do acusado, que utilizou sua posição de síndico para tentar controlar a percepção dos moradores sobre o desaparecimento. Para a família de Daiane, o áudio representa mais uma evidência da frieza com que Cleber agiu após cometer o assassinato.