Síndico que matou corretora isentou taxa de condomínio e pediu silêncio sobre crime
Síndico isentou taxa e pediu silêncio após matar corretora

Síndico que assassinou corretora tentou comprar silêncio com isenção de taxa de condomínio

Em um caso que chocou a cidade de Caldas Novas, no sudoeste de Goiás, o síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, confessou ter matado a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, após um histórico de conflitos no condomínio. A revelação veio após mais de 40 dias do desaparecimento da vítima, quando o acusado levou a polícia até o local onde havia deixado o corpo, em uma área de mata às margens da GO-213, em Ipameri.

Áudio revelador: isenção de taxa e pedido de silêncio

Em um áudio gravado para um grupo de moradores do prédio, Cleber demonstrou uma atitude calculista ao isentar os condôminos da taxa de condomínio referente a dezembro, mês em que Daiane desapareceu e foi assassinada. Na gravação, ele se queixou de que os moradores não reconheceram o bônus concedido, enquanto comentavam amplamente sobre o sumiço da corretora.

Eu isentei a taxa de condomínio que venceu no dia 10 de janeiro, referente a dezembro. Eu isentei os proprietários do pagamento dessa taxa, como um bônus, uma regalia, né, para começar o ano com essa taxa a menos a ter que pagar, afirmou o síndico no áudio.

Cleber ainda solicitou explicitamente que os moradores não fizessem mais comentários sobre o caso, chegando a excluir um condômino do grupo após a publicação de uma reportagem sobre o desaparecimento. Ele argumentou que não há prova nenhuma de que Daiane havia desaparecido do prédio, tentando assim desviar as suspeitas.

Detalhes do crime e motivação

O assassinato ocorreu no dia 17 de dezembro, quando Daiane desceu ao subsolo do prédio no bairro Termal para verificar uma queda de energia frequente em seu apartamento. A última imagem da vítima foi registrada no elevador por volta das 19h. Segundo a declaração de óbito, a corretora foi morta com um tiro na cabeça, causando traumatismo cranioencefálico por projétil de arma de fogo.

A polícia investiga uma disputa pela administração dos apartamentos que a família de Daiane possui no condomínio como possível motivação para o crime. Cleber e a vítima tinham um histórico de brigas e processos judiciais, o que pode ter culminado no homicídio.

Reação da família e andamento do caso

Fernanda Alves, irmã de Daiane, forneceu o áudio ao g1 e relatou a angústia da família durante os mais de 40 dias de desaparecimento. A mãe da corretora, Nilse Alves, expressou revolta e alívio após o sepultamento da filha no Cemitério Parque dos Buritis, em Uberlândia, Minas Gerais.

Alívio por saber que ela vai ser colocada num lugar de descanso e não no meio do mato onde o assassino a jogou. E com muito conforto vendo toda solidariedade e tanto apoio!, disse Nilse.

O corpo de Daiane foi liberado pelo Instituto Médico-Legal de Goiânia após identificação por DNA dentário. A defesa de Cleber, em nota, afirmou que aguarda o fim das investigações e não se manifestará sobre as circunstâncias do caso até a conclusão do inquérito policial, mas reiterou que o acusado continua colaborando com as autoridades.

A Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer detalhes da dinâmica do crime, incluindo se o assassinato ocorreu no prédio ou nas margens da rodovia estadual. O caso segue sob investigação, com a comunidade local em alerta sobre os desdobramentos dessa tragédia que envolveu violência, manipulação e tentativas de ocultação de evidências.