Secretário de Segurança do Maranhão alerta sobre fake news em caso de desaparecimento de crianças
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, emitiu um comunicado neste sábado (24) para esclarecer que todas as pessoas ouvidas até o momento na investigação do desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, foram tratadas como testemunhas. Ele enfatizou que qualquer informação diferente disso é falsa, em resposta a boatos que têm circulado sobre o caso.
Boatos ampliam a dor da família e prejudicam buscas
Maurício Martins utilizou as redes sociais para fazer o alerta, destacando que a disseminação de notícias falsas sobre o desaparecimento das crianças no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, é inaceitável e irresponsável. Segundo ele, esses rumores apenas aumentam a dor da família e prejudicam diretamente os trabalhos de busca. O secretário reforçou que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança constitui crime, e cidadãos que insistirem nessa prática poderão ser responsabilizados.
Além disso, todas as informações oficiais sobre o caso são divulgadas exclusivamente por meio de porta-vozes autorizados ou notas oficiais, garantindo a veracidade dos dados. Maurício Martins afirmou que as buscas pelas crianças continuam, com a Polícia Civil do Maranhão conduzindo as investigações com rigor técnico, e detalhes não estão sendo divulgados para não comprometer o trabalho policial.
21 dias sem vestígios e mudança na estratégia de buscas
O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael completa 21 dias neste sábado (24), levando a uma mudança na estratégia das buscas em Bacabal. Após o depoimento do primo de 8 anos que estava com as crianças e a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada.
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam. O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade, afirmou Maurício Martins.
Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago. O secretário acrescentou que, infelizmente, as crianças não foram encontradas, e os trabalhos serão redirecionados para focar nas investigações da Polícia Civil, mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro.
Depoimento do primo ajuda a reconstruir trajeto
Com autorização da Justiça do Maranhão, o menino de 8 anos, encontrado após três dias perdido na mata, passou a acompanhar as buscas pelos primos. Ele recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após 14 dias internado, e no mesmo dia indicou os últimos caminhos que percorreu com as crianças até o momento em que foi encontrado por carroceiros, no dia 7.
As pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. Segundo o relato, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai, mas para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata, onde o grupo se perdeu. O menino afirmou que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.
Uma rede de proteção foi criada para manter o menino afastado de qualquer tipo de assédio ou exposição, e ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo.
Força-tarefa percorreu mais de 200 km em buscas
Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal e voluntários, participaram das ações.
Desde o desaparecimento, buscas em áreas de mata e no rio Mearim ocorreram paralelamente à investigação, conduzida por uma comissão especial de segurança. O inquérito já ultrapassa 200 páginas e conta com apoio de um sistema nacional que permite acesso a bancos de dados de outros estados. O caso também segue protocolo de desaparecimento, com divulgação de informações e imagens em redes sociais para ampliar o alcance das buscas, incluindo o acionamento do protocolo Amber Alert.