Polícia Civil pede prorrogação de prisão de PM suspeito no desaparecimento da família Aguiar no RS
A Polícia Civil encaminhou à Justiça nesta quinta-feira (5) o pedido de prorrogação da prisão temporária do policial militar Cristiano Domingues Francisco, suspeito de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O homem foi preso no dia 10 de fevereiro e seu mandado judicial, com duração de 30 dias, termina na próxima semana, podendo ser estendido por mais 30 dias.
Desaparecimento e investigações em andamento
Silvana de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. A Polícia Civil realiza buscas intensivas em diferentes áreas da região, com frentes recentes concentradas em matas de Gravataí e Cachoeirinha, além de trechos do Rio Gravataí, visitados nos dias 26 e 27 de fevereiro. Esses locais foram definidos com base em informações obtidas no celular do PM suspeito.
Até o momento, apenas policiais atuam nas ações, sem a participação do Corpo de Bombeiros. O delegado Anderson Spier, que lidera a investigação, confirmou que diligências estão sendo cumpridas desde 26 de fevereiro, mas não divulgou detalhes sobre as cidades específicas onde as buscas ocorrem.
Defesa e novos desenvolvimentos
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, representante de Cristiano, afirmou que tomou conhecimento do pedido de prorrogação da prisão temporária e que irá se manifestar nos autos. Ele destacou que o suspeito e seus familiares vêm colaborando com a investigação, fornecendo senhas de aparelhos eletrônicos, apontando testemunhas e franqueando acesso a imóveis.
Nesta quinta-feira, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um amigo do PM, citado por Cristiano como alguém com quem teria jantado na noite do desaparecimento de Silvana. O objetivo é checar o álibi. Na residência, foram apreendidos um celular, um pen drive, um HD externo e um videogame. O telefone será analisado para verificar geolocalização e mensagens trocadas com o suspeito, enquanto o videogame servirá para confirmar se foi conectado à rede Wi-Fi da casa de Cristiano naquela noite.
O amigo relatou à polícia que passou a noite de 24 de janeiro na casa de Cristiano, onde também estava o filho do suspeito, e que jogaram videogame até a madrugada do dia 25. O advogado de Cristiano expressou surpresa com as buscas, argumentando que o amigo é uma testemunha indicada pela defesa e que a entrega voluntária dos aparelhos para perícia seria suficiente.
Elementos adicionais da investigação
As investigações já levaram a polícia a um sítio da família do investigado e a outra propriedade dos Aguiar, além das casas dos desaparecidos e do próprio suspeito. Paralelamente, a polícia tenta esclarecer a identidade do dono de um carro vermelho que entrou na casa de Silvana no dia do desaparecimento. Outra frente aguarda o resultado da perícia nas amostras de sangue encontradas no pátio da residência da vítima.
Linha do tempo do caso
O desaparecimento da família Aguiar completa mais de um mês, com eventos-chave incluindo:
- 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação falsa em suas redes sociais sobre um acidente em Gramado é identificada como tentativa de despiste.
- 25 de janeiro: Os pais de Silvana saem para procurá-la e visitam o ex-genro, Cristiano, antes de desaparecerem.
- 10 de fevereiro: Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico revelar movimentações suspeitas.
- 26-27 de fevereiro: Buscas por corpos são intensificadas em áreas de mata e rios próximos a Cachoeirinha.
O caso é tratado como crime, com Silvana já considerada a 20ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026. A polícia continua a trabalhar para esclarecer os fatos e localizar os desaparecidos.



