Polícia apreende 2,4 mil ampolas de substância usada em canetas emagrecedoras na Grande São Paulo
Polícia apreende 2,4 mil ampolas de canetas emagrecedoras

Operação policial intercepta carga milionária de substância para emagrecimento na Grande São Paulo

Uma ação da Polícia Militar na Grande São Paulo resultou na apreensão de mais de 2,4 mil ampolas contendo uma substância utilizada na fabricação das chamadas canetas emagrecedoras. O flagrante ocorreu na madrugada de sexta-feira (24), quando os agentes notaram um caminhão parado no acostamento da rodovia Fernão Dias, despertando suspeitas imediatas.

Detalhes da abordagem e apreensão da carga ilegal

Os policiais militares flagraram quatro homens transferindo mercadoria contrabandeada do porta-malas de um carro para o caminhão. De acordo com o relato de um dos agentes envolvidos, o motorista informou que o veículo havia encostado por volta das 20h30, e a abordagem aconteceu aproximadamente às 22h, momento em que um segundo carro chegava ao local. Os suspeitos, que não possuem ficha criminal, foram detidos e devem passar por audiência de custódia.

Em seu depoimento, o motorista revelou que o destino da carga era a região Nordeste do Brasil. A mercadoria apreendida, avaliada em impressionantes R$ 1 milhão, consistia em 2,4 mil ampolas de tirzepatida, a substância ativa presente nas canetas emagrecedoras.

Riscos à saúde e proibição recente da Anvisa

A tirzepatida é um medicamento injetável originalmente desenvolvido para o controle do diabetes tipo 2, atuando na regulação do apetite e dos níveis de açúcar no sangue. No entanto, seu uso tem sido desvirtuado como uma alternativa para a perda rápida de peso, gerando sérias preocupações entre especialistas em saúde.

Essa semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de duas marcas de tirzepatida, sendo que uma delas estava presente na carga apreendida. A substância é facilmente adquirida sem registros adequados no Paraguai, onde não há controle sanitário e fiscalização equivalentes aos do Brasil.

O diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Claiton Macedo, alerta para os perigos: "A gama de efeitos adversos que a gente tem visto é muito grande, muitas vezes existem outras substâncias que não são aquelas ali descritas. O controle de qualidade, a rastreabilidade, se o indivíduo complica, a gente não sabe direito lote, a gente não tem análise criteriosa da eficácia e da segurança daquela versão fabricada nesse cenário".

Casos graves e popularização do uso irregular

Essas substâncias atravessam a fronteira sem qualquer garantia de autenticidade, frequentemente sem refrigeração adequada, e são distribuídas em clínicas e farmácias por todo o país. A procura por esses produtos tem crescido significativamente, impulsionada pela popularização do uso como fórmula para emagrecer e pelo fato de o tratamento regular com as marcas aprovadas pela Anvisa ser inacessível para a maior parte da população.

Ao ser injetada, a tirzepatida permanece ativa no organismo por pelo menos uma semana, o que significa que os efeitos adversos não cessam imediatamente após a interrupção do uso. Um caso emblemático ocorreu em Belo Horizonte, onde uma mulher de 42 anos luta para sobreviver após injetar uma única vez o produto vindo do Paraguai em dezembro. Ela desenvolveu uma síndrome rara que paralisa os músculos, ilustrando os riscos extremos associados a essas substâncias ilegais.

Esta apreensão reforça a necessidade de vigilância constante e medidas mais rigorosas para combater o contrabando e proteger a saúde pública dos brasileiros.