Investigação de assassinato em Icaraíma mantém equipe após troca de delegado
Investigação em Icaraíma mantém equipe após troca de delegado

Seis meses após crime brutal, investigação em Icaraíma segue com mesma equipe

Completou seis meses a investigação sobre o assassinato dos quatro homens que saíram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar uma dívida em Icaraíma, no noroeste do Paraná. A polícia confirmou que a equipe responsável pelo caso permanece a mesma, mesmo com a recente troca de delegado titular da comarca.

Detalhes do crime e vítimas

Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso foram contratados por Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida na região paranaense. Segundo as investigações, as quatro vítimas foram mortas instantaneamente em uma emboscada após tentativa de cobrança.

Os principais suspeitos são Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, que estão foragidos desde 9 de agosto. A defesa dos investigados afirma acreditar na inocência dos clientes, mas não comentou sobre indícios de envolvimento com crime organizado.

Nova liderança policial e continuidade das investigações

O delegado Isaias Cordeiro de Lima assumiu em janeiro a comarca de Umuarama, responsável pela Polícia Civil de Icaraíma. Em entrevista, ele destacou que a investigação dos homicídios será tratada como prioridade em 2026 e que a equipe de investigação continua a mesma.

"Vou dar seguimento à mesma linha de apuração iniciada pelo delegado anterior", afirmou Isaias, ressaltando que o caso foi atípico para uma comarca que registra em média apenas dois homicídios por ano.

O delegado explicou que em 2025 houve um ápice de sete homicídios, principalmente devido às quatro mortes deste caso. "A dinâmica dos fatos nos impressionou pela crueldade com que foi praticado. Uma situação que fugiu da realidade da comarca", completou.

Contexto da dívida e envolvimento criminal

A investigação apurou que a dívida de R$ 255 mil estava relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi honrada.

Gravações obtidas pela polícia revelam que Diego garantiu a Alencar que o grupo estava acostumado a fazer cobranças em outros estados e que os devedores "sabem com quem estão lidando". Em áudio enviado à esposa, Diego mencionou o envolvimento dos suspeitos com tráfico de cigarros para o Paraguai.

De acordo com o delegado Gabriel Menezes, há indícios de que a família Buscariollo tenha ligação com contrabando de cigarros e tráfico de drogas, possivelmente conectados ao crime organizado. Esses indícios continuam sendo investigados.

Dinâmica da emboscada e descoberta dos corpos

A polícia reconstituiu que as vítimas se encontraram com os suspeitos em 4 de agosto para negociar o pagamento da dívida através da cessão de uma casa, sem sucesso. No dia seguinte, por volta das 12h30, retornaram à propriedade no distrito de Vila Rica, onde foram emboscadas.

A teoria policial indica que o ataque foi realizado com pelo menos cinco armas de fogo de calibres diversos, incluindo um fuzil. As vítimas foram baleadas dentro do carro, com mortes instantâneas confirmadas por laudo pericial:

  • Robishley Hirnani de Oliveira: três tiros nas costas, um na cabeça, um no braço e dois no tórax
  • Diego Henrique Affonso: nove disparos, sendo um na cabeça, seis no tórax e dois nos braços
  • Rafael Juliano Marascalchi: seis tiros, com três na cabeça, dois no tórax e um na perna
  • Alencar Gonçalves de Souza Giron: um tiro na cabeça

Após os assassinatos, os corpos foram levados dentro do próprio veículo até uma cova onde foram enterrados. O carro foi posteriormente enterrado em um bunker próximo ao local do crime.

Investigação de policiais e situação atual

Em dezembro, dois policiais civis de Icaraíma foram alvos de mandados de busca e apreensão por suspeita de passar informações que facilitaram a fuga dos investigados. O caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil.

"O que se busca apurar é se, após o crime, os investigados tiveram algum benefício com informações que possam ter facilitado a fuga ou destruição de vestígios", informou a polícia. Os agentes podem responder por favorecimento pessoal e corrupção, além de investigação administrativa que pode resultar em demissão.

Desenvolvimentos recentes e perspectivas

O carro das vítimas foi encontrado em 12 de setembro enterrado em um bunker na área rural de Icaraíma, após denúncia anônima. Os corpos só foram localizados em 18 de setembro, em uma vala a 650 metros do local onde o veículo foi desenterrado.

A investigação continua em sigilo, sem previsão de conclusão do inquérito. As imagens de câmeras de segurança que mostram o veículo seguindo para o local do enterro foram obtidas pela polícia, mas não divulgadas publicamente.

Enquanto os principais suspeitos permanecem foragidos, a polícia mantém a linha investigativa original, com promessa de intensificação dos trabalhos no próximo ano. O caso continua a mobilizar as forças de segurança do Paraná, representando um dos episódios mais violentos recentes na região noroeste do estado.