Herança de tio de Suzane von Richthofen é alvo de disputa judicial e furto em imóvel
Herança de tio de Suzane von Richthofen tem disputa e furto

A herança do tio de Suzane von Richthofen, o médico Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em janeiro em São Paulo, tornou-se cenário de uma intensa disputa judicial e de incidentes criminosos. A prima do falecido, Carmem Silvia Magnani, denunciou nesta segunda-feira (2) que o imóvel do tio foi alvo de invasões, trocas de fechaduras e furto de um carro pertencente ao espólio, tudo sem autorização judicial prévia.

Disputa pela herança e invasões no imóvel

Desde a morte de Abdalla, aos 76 anos, Suzane von Richthofen, conhecida pelo caso do assassinato dos pais em 2002, e Carmem Magnani travam uma batalha na Justiça. Carmem busca o reconhecimento e dissolução de uma união estável com o médico, enquanto Suzane, como sobrinha, pode ter direitos sucessórios. A defesa de Carmem, em nota assinada pelas advogadas Débora Cristina Vaccari e Marielli Helena Arruda, expressou "profunda indignação" com os fatos, destacando a necessidade de um inventário conduzido por pessoa idônea para proteger o legado de Miguel.

Investigação de furto e morte suspeita

A Polícia Civil investiga uma denúncia de furto à residência do médico, registrada em 20 de janeiro. Segundo o boletim de ocorrência, policiais constataram a invasão do imóvel, com subtração de itens como lavadora de roupa, sofá, cadeira, documentos e dinheiro. Uma porta foi arrombada, e a perícia foi acionada. A morte de Abdalla é investigada como suspeita, aguardando laudos da Polícia Técnico-Científica, com a hipótese principal sendo morte natural por infarto.

Direitos sucessórios e contexto familiar

Miguel Abdalla Netto não era casado oficialmente e não tinha filhos, deixando ao menos dois imóveis no bairro Campo Belo, em São Paulo. Pelo direito sucessório, sobrinhos como Suzane e seu irmão, Andreas von Richthofen, podem pleitear a herança, mas precisam entrar na Justiça para isso. Abdalla foi tutor de Andreas após os assassinatos dos pais, administrando seus bens até a maioridade. Em 2015, Suzane foi oficialmente excluída da herança dos pais, com os bens de R$ 10 milhões ficando apenas com Andreas.

Processo de união estável e reintegração de posse

Carmem Magnani luta há mais de dois anos na Justiça pelo reconhecimento de uma união estável com Miguel entre 2011 e 2015, alegando que moravam juntos como casal. No entanto, Abdalla sempre negou o relacionamento e, meses antes da ação de Carmem, acionou a Justiça para reintegração de posse do apartamento onde ela morava, argumentando que a deixara residir de favor devido a dificuldades financeiras. Em 2024, a Justiça obrigou Carmem a deixar o imóvel e pagar aluguel retroativo, enquanto o processo de união estável segue sem decisão.

Contexto do caso Richthofen e situação atual

Suzane von Richthofen foi condenada em 2006, junto com Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos, pelo assassinato dos pais em 2002, com pena de 39 anos de prisão. Atualmente, ela cumpre regime aberto, mudou seu nome para Suzane Louise Magnani Muniz após casamento em 2023, e vive em Bragança Paulista com o marido e um filho. O caso da herança do tio surge como um novo capítulo na vida da ex-detenta, marcada por controvérsias e disputas legais.

O espólio, conjunto de bens deixados por uma pessoa após a morte, não pode ser alterado sem autorização judicial, reforçando a ilegalidade das invasões e furtos denunciados. A situação evidencia os desafios em processos de inventário quando há conflitos familiares e alegações de direitos não reconhecidos.