Justiça condena empresários por estelionato que atrasou tratamento de câncer de menina no PR
Empresários condenados por estelionato em caso de tratamento de câncer

Justiça condena empresários por estelionato que prejudicou tratamento de menina com câncer

A Justiça condenou dois empresários por estelionato no caso do desvio de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de câncer da menina Yasmin, de 12 anos, em Cascavel, no oeste do Paraná. Na sentença, a juíza destacou que a fraude causou um prolongamento do sofrimento por três meses e atrasou significativamente o tratamento médico necessário.

Detalhes da condenação e impacto na saúde

Os réus condenados são Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, responsáveis pela compra da medicação. Eles receberam penas que somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime inicialmente fechado, estando presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado foi absolvido no processo.

Na decisão, a magistrada afirmou que a falta do medicamento retirou da criança a chance de receber um tratamento menos invasivo e mais adequado ao quadro clínico. Esse fator foi considerado como agravante na dosimetria da pena aplicada aos réus. A sentença ressalta que, sem a medicação indicada, a evolução da doença é fatal, o que prolongou o sofrimento físico e psicológico da menina entre abril e julho de 2024.

Contexto do caso e ações fraudulentas

Em 2024, a Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse um medicamento chamado Danyelza, que deveria ser importado para o tratamento de Yasmin, diagnosticada com neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer. O valor foi liberado, mas a empresa contratada para a importação não entregou a medicação conforme previsto.

Segundo a sentença, os réus usaram a reputação de suas empresas para ganhar a confiança das vítimas e se aproveitaram da estrutura pública para obter vantagem indevida. Os empresários continuaram repassando informações falsas sobre a importação do remédio, mantendo a família e os demais envolvidos em erro. Para a juíza, a conduta prolongou a angústia e a expectativa de quem aguardava o início do tratamento, ampliando o sofrimento emocional causado pelo crime.

Consequências para a paciente e situação atual

Com o atraso na entrega do medicamento, Yasmin precisou continuar com sessões de quimioterapia. Em depoimento citado no processo, a mãe relatou que, à época, Yasmin, então com 10 anos, já não conseguia andar e precisava de morfina de hora em hora para controlar a dor. A criança também apresentou forte abalo emocional, o que exigiu acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com uso de medicamentos para dormir e conter a ansiedade.

Atualmente, Yasmin está em cuidados paliativos em Cascavel, enfrentando dores intensas e com dificuldades para caminhar. A doença avançou, e ela precisou ser internada no Hospital do Câncer de Cascavel. Em uma publicação nas redes sociais, a mãe afirmou: “Hoje conversei com as médicas e infelizmente não tem mais o que fazer por ela, somente controlar a dor”.

Recursos e repercussões do caso

A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão e sustenta que ele não participou de nenhuma ação criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Allan Lincoln, assistente de acusação, comentou: “Apesar de a sentença ser importante ao condenar os réus por estelionato, entendemos que ela ainda pode ser reformada para incluir crimes mais graves, diante da dimensão do caso”.

Enquanto a Justiça tenta recuperar os valores desviados, o governo do Paraná autorizou uma nova compra emergencial da medicação. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024, sem resposta significativa. Em 2025, iniciou a segunda fase, mas ainda não conseguiu concluir o protocolo devido ao avanço da doença.

Histórico do tratamento e investigações

Yasmin convive com o neuroblastoma desde 2018, quando tinha cinco anos. Após apresentar três orçamentos, a empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi escolhida para fornecer os remédios, mas subcontratou outra importadora que não entregou os medicamentos de forma completa. O hospital recebeu apenas uma ampola do medicamento Danyelza, quando eram necessárias seis, e apenas 10 das 60 caixas previstas de Leukine, além de versões genéricas.

As investigações da Polícia Civil apontaram que as contas das empresas envolvidas estavam praticamente sem saldo, e os responsáveis já tinham antecedentes por crimes de estelionato. O caso segue repercutindo pelo impacto profundo da fraude na vida e na saúde da criança, destacando a gravidade de crimes que exploram a vulnerabilidade de pacientes em tratamento médico.