Advogada presa em operação contra extorsão é coautora de livro com chefe do Comando Vermelho
Uma advogada foi presa nesta sexta-feira, 23 de agosto, suspeita de integrar um grupo criminoso especializado em extorsão com atuação nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. A prisão preventiva foi determinada pela Justiça cearense e executada em uma operação conjunta entre as polícias civis dos dois estados.
Ligação com o crime organizado através de obra jurídica
A profissional do direito presa é coautora do livro Execução Penal Banal Comentada, obra escrita em parceria com Marcinho VP, apontado pelas autoridades como chefe da facção criminosa Comando Vermelho e pai do rapper Oruam. O material também tem como coautor o advogado Luciano Tourinho e foi publicado antes da prisão da advogada.
Na descrição da obra, os autores afirmam que o conteúdo é indispensável para quem deseja compreender a Execução Penal na prática, tanto no contexto acadêmico e profissional quanto para outros públicos interessados na temática. Na plataforma Amazon, o livro possui apenas uma avaliação registrada, com nota de três estrelas em um total de cinco possíveis.
Operação policial e investigações
A ação policial resultou na prisão de uma segunda mulher e no cumprimento de três mandados de busca e apreensão, incluindo em um imóvel de outro advogado na cidade de Fortaleza. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, notebooks e documentos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.
Segundo a Polícia Civil do Ceará, a organização criminosa utilizava ameaças e intimidações para extorquir vítimas, embora os investigadores não tenham detalhado o funcionamento completo do esquema nem o perfil específico dos alvos. A operação contou com apoio operacional da Polícia Civil do Rio Grande do Norte e acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil durante o cumprimento dos mandados judiciais.
Perfil digital e histórico da advogada
No Instagram, onde a advogada posta sobre moda, direito e festas, ela acumula impressionantes 680 mil seguidores. No entanto, suas publicações apresentam baixíssimo engajamento, com aproximadamente cinco ou seis comentários e cerca de dez curtidas por postagem. Esse desequilíbrio entre número de seguidores e interação real levanta suspeitas de que o perfil utilize seguidores falsos adquiridos por meio de pagamento.
A trajetória da profissional inclui um episódio dramático ocorrido em 2016, quando foi vítima de um atentado a tiros em uma lanchonete na cidade de Natal. Após receber quatro tiros, ela sobreviveu graças a uma circunstância incomum: um dos projéteis que atingiu seu peito foi desviado pela prótese de silicone mamária, evitando que o coração fosse atingido. Ela recebeu alta hospitalar quatro dias após o crime e precisou se esconder em outro estado por questões de segurança.
Atuação profissional e repercussões anteriores
Paloma Gurgel já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em 2025 em investigação relacionada a organização criminosa. A advogada ganhou projeção nacional ao atuar na defesa de presos ligados a facções criminosas, incluindo chefes do crime organizado.
Em uma de suas atuações mais conhecidas, ela defendeu Antônio Jussivan, conhecido como Alemão, mentor do maior assalto já realizado no Brasil. Em suas manifestações públicas, a advogada se referiu ao cliente como mais uma vítima do Direito Penal do Inimigo e criticou duramente o sistema judiciário, afirmando que o Estado massacrador escolhe criminalizar os pobres e favelados enquanto os verdadeiros ladrões do país seguem impunes.
A operação desta sexta-feira representa mais um capítulo na trajetória complexa dessa profissional do direito, cuja atuação na interface entre advocacia criminal e investigações policiais continua gerando repercussão em âmbito nacional.