Alta exposição a golpes digitais atinge população paulista
Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Seade revelou dados alarmantes sobre a exposição dos moradores do estado de São Paulo a tentativas de golpes digitais durante o ano de 2025. Segundo o estudo, nove em cada dez residentes no território paulista foram alvos de alguma modalidade de fraude virtual no período analisado, o que corresponde a aproximadamente 30 milhões de pessoas diretamente impactadas por essas ações criminosas.
Principais modalidades de fraude identificadas
O levantamento detalhou que quatro em cada dez entrevistados relataram ter caído em fraudes envolvendo lojas virtuais falsas ou perderam dinheiro em golpes aplicados através do sistema Pix. Irineu Barreto, analista de pesquisas da Fundação Seade, destacou que essas são as modalidades que "estão na praça" atualmente, representando os riscos mais imediatos para a população.
Barreto explicou ainda que, com exceção de golpes que utilizam dados pessoais para solicitar empréstimos ou crédito consignado, o perfil mais vulnerável inclui indivíduos com maior escolaridade, rendimentos elevados e em idade ativa. As abordagens geralmente ocorrem por meio de mensagens de texto no celular, e-mails ou ligações telefônicas, explorando a confiança e a urgência nas comunicações.
Perfil das vítimas e alcance regional
De acordo com a pesquisa, os alvos principais desses golpes digitais são, em sua maioria, pessoas com ensino superior completo e renda familiar superior a dez salários mínimos. Esse grupo demonstra maior propensão a realizar transações financeiras online, tornando-se um alvo atraente para os criminosos.
Na Região Metropolitana de São Paulo, os números são ainda mais preocupantes. O estudo apontou que um em cada quatro entrevistados afirmou ter caído em golpes aplicados via Pix, além de relatar casos de fotos roubadas em redes sociais que foram utilizadas por terceiros para solicitar dinheiro através de aplicativos de mensagem ou nas próprias plataformas digitais.
Estratégias criminosas e adaptação às tendências
Os golpistas estão utilizando as redes sociais de forma cada vez mais sofisticada, criando perfis falsos de pessoas e empresas para realizar vendas fraudulentas, roubar dados dos usuários e solicitar transferências bancárias. Irineu Barreto comentou que o crime acompanha de perto as tendências do mundo digital, explorando novas fragilidades à medida que surgem.
"Na medida em que algum fenômeno digital cresce, os golpistas vão atrás e procuram também explorar essa fragilidade. Eu diria que eles estão alguns passos na frente da prevenção", afirmou o analista, destacando a necessidade de medidas proativas para combater essas práticas.
Orientações de especialistas em segurança digital
João Brasio, CEO da Elytron Cybersecurity e especialista em segurança digital, ofereceu orientações valiosas para os consumidores se protegerem. Ele recomenda desconfiar de preços excessivamente abaixo do valor de mercado, cobranças não reconhecidas e situações em que o vendedor pressiona para fechar um negócio rapidamente.
Brasio exemplificou: "A gente está comprando uma TV que no cartão de crédito custa R$ 1000 e no Pix é R$ 700, o que seria um desconto de 30%. É improvável que um lojista vá te dar todo esse desconto só porque a modalidade é Pix. Ele não tem tantas vantagens a mais". O especialista acrescentou que descontos entre 5% e 10% podem ser aceitáveis, mas ofertas muito vantajosas geralmente escondem fraudes.
Quanto ao papel das redes sociais, Brasio afirmou que as plataformas digitais deveriam desenvolver mecanismos de defesa mais robustos para os usuários, uma vez que permitem a veiculação de anúncios falsos e até recebem pagamentos dos golpistas por esses espaços publicitários.
A pesquisa da Fundação Seade serve como um alerta importante sobre a escalada do cibercrime no estado mais populoso do Brasil, destacando a necessidade de maior conscientização e medidas de proteção tanto por parte dos cidadãos quanto das instituições responsáveis pela segurança digital.