Caso Orelha: Investigação detalha agressão fatal a cão comunitário em Florianópolis
O programa Fantástico teve acesso exclusivo a depoimentos e imagens que ajudam a reconstruir a cronologia de um caso que mobilizou o país. Orelha era um cão comunitário cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina. No início de janeiro, o animal foi encontrado agonizando e não resistiu aos ferimentos graves. A investigação policial aponta que ele foi vítima de uma violenta agressão, e as autoridades apuram o possível envolvimento de adolescentes na região.
Veterinário descarta acidente e confirma agressão
O veterinário Derli Royer, que atendeu Orelha, descreveu o estado crítico do animal em seu depoimento. “Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida”, relatou. Questionado pela reportagem, Royer foi enfático ao confirmar que se tratava de uma agressão e descartou completamente a hipótese de acidente.
Porteiro emerge como testemunha-chave após conflitos com adolescentes
Quase uma semana após a morte de Orelha, os moradores começaram a citar um porteiro que trabalhava em um dos condomínios do bairro como uma possível testemunha importante. Ele teria vídeos das agressões, segundo informações obtidas pela polícia. Os depoimentos coletados revelam que, desde o início do verão, adolescentes tiveram uma série de desentendimentos com o porteiro devido a:
- Bagunça e depredação de propriedades
- Xingamentos e comportamentos agressivos
- Restrições no horário de entrada e saída do prédio
Durante uma dessas discussões, o porteiro fotografou dois dos rapazes e enviou a imagem junto com uma mensagem de áudio em um grupo de mensagens. Na gravação, ele mencionava: “Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece, que deram umas pauladas em um cachorro. E, depois, foram lá e mexeram na barraca ainda. É seis folgados. São seis folgados que tem aí”.
Depoimentos detalham atritos e investigação avança
O Fantástico obteve acesso a dados da investigação, que inclui dois depoimentos prestados pelo porteiro. Ele descreveu os atritos com os adolescentes: “Eu fui bastante xingado, né? Eu tenho um vídeo deles danificando lixeiras na frente do condomínio. Isso duas, três horas da manhã. E eles xingavam de porteiro de merda, assalariado, lá, não sei o quê, e velho, e barrigudo. Eu gravei bem esses guris por causa dessas coisas”.
No entanto, quando questionado sobre o que sabia especificamente sobre a morte de Orelha, o porteiro foi cauteloso: “Agora lá sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. E eu digo para senhora: se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que eram eles”.
Confronto familiar e suspeita de arma de fogo
Ao tomarem conhecimento das discussões e da foto dos adolescentes circulando na internet, os pais de dois dos rapazes e o tio de um deles foram até a portaria do condomínio. Um desses encontros foi registrado pelas câmeras de segurança. A delegada de Proteção Animal, Mardjoli Valcareggi, explicou: “E nesse momento, uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali, tanto para a vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo. Nós representamos para um mandado de busca e apreensão no endereço desse suspeito e não foi localizada essa arma”.
Medidas legais e desdobramentos do caso
Após o episódio, o porteiro registrou um boletim de ocorrência por ameaça. Paralelamente, as famílias dos adolescentes também registraram B.O. ao descobrirem que a foto dos jovens estava circulando na internet após a mensagem do porteiro no grupo de conversas. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de quatro adolescentes apontados como suspeitos, além de endereços ligados aos responsáveis pelos rapazes. O caso continua sob investigação, com a delegacia de Proteção Animal à frente das apurações para esclarecer todos os detalhes da trágica morte de Orelha.