Cadela comunitária é atropelada e abandonada em Ivaiporã; caso é investigado como maus-tratos
Uma cena de crueldade chocou moradores de Ivaiporã, no norte do Paraná, na noite de domingo (1º). Dara, uma cadela de aproximadamente 14 anos que era cuidada há nove anos pela comunidade local, foi atropelada por um carro e abandonada ferida na Avenida Aparício Cardoso Bittencourt. O motorista não prestou socorro e fugiu do local, deixando o animal à própria sorte.
O momento do atropelamento capturado em vídeo
O incidente foi registrado por uma câmera de segurança, que mostra a cachorrinha deitada em uma vaga de estacionamento, sem veículos por perto. Às 20h39, um carro entra na via, faz uma manobra e atropela Dara. Em seguida, o condutor simplesmente vai embora, sem qualquer tentativa de ajudar o animal ferido.
Marineis Tassi Zilio, uma das moradoras que cuida de Dara, relatou ao g1 que ela e o marido realizaram os primeiros socorros assim que encontraram a cadela ainda na noite do ocorrido. "Ela só chora", disse Marineis, emocionada. Uma viatura da Polícia Militar passou pelo local e registrou um boletim de ocorrência, com o vídeo sendo cedido aos policiais para investigação.
Investigação policial e condição da cadela
Um veterinário foi chamado ao local, medicou Dara e suspeita que ela tenha sofrido uma fratura no quadril. Na segunda-feira (2), a cadela passaria por outra consulta para avaliação mais detalhada. Enquanto isso, a Polícia Civil assumiu o caso, investigando-o como crime de maus-tratos contra animais.
O delegado Erlon Ribeiro explicou que o ato de deixar de prestar socorro configura o crime de maus-tratos, mesmo que não haja intenção inicial de lesionar o animal. Até o momento, nem o motorista nem o carro envolvido foram identificados, mas as investigações continuam em andamento.
A história comovente de Dara e a guarda compartilhada
Dara tem uma história peculiar com a comunidade de Ivaiporã. Seu antigo tutor era um vigilante do bairro, e a cadela sempre o acompanhava no trabalho. No entanto, o homem começou a ser ameaçado por pessoas que eram abordadas por ele, pois Dara passou a avançar nelas. Diante disso, os moradores decidiram adotar a cachorrinha coletivamente.
Há nove anos, essa "guarda compartilhada" vem funcionando, com vários residentes assumindo a responsabilidade de cuidar de Dara, alimentá-la e garantir seu bem-estar. Os tutores estimam que ela tenha 14 anos de vida, tornando-se um símbolo de afeto e união na localidade.
O caso reforça a importância da conscientização sobre os direitos dos animais e a necessidade de punição para condutores que cometem atos de negligência e crueldade. A comunidade aguarda justiça enquanto Dara se recupera dos ferimentos.