Motorista é preso ao tentar levar mil litros de diesel para garimpo ilegal em terra indígena de Mato Grosso
Um motorista de 56 anos foi preso na noite de quinta-feira (29) sob suspeita de tentar transportar mil litros de diesel para abastecer atividades de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, localizada no estado de Mato Grosso. A região é considerada uma das mais devastadas da Amazônia Legal, com altos índices de desmatamento associados à exploração criminosa de ouro.
Detalhes da operação policial e apreensão
De acordo com informações da Polícia Civil, o motorista foi flagrado por uma equipe da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) por volta das 19h30, quando se aproximava da estrada que dá acesso ao garimpo ilegal. O homem afirmou aos policiais que havia sido contratado por um indivíduo desconhecido para realizar um frete, transportando um contêiner com o combustível até a ponte de entrada do garimpo, com um valor combinado de R$ 1.200.
O motorista relatou que carregou o diesel a aproximadamente três quilômetros da zona urbana de Vila Bela da Santíssima Trindade. Sua esposa, de 41 anos, também estava presente no veículo no momento da abordagem. Após a prisão, o condutor foi encaminhado para a delegacia, enquanto o veículo, o contêiner e os mil litros de diesel foram apreendidos pelas autoridades. A investigação do caso continua sob responsabilidade da Polícia Civil.
Contexto da devastação na Terra Indígena Sararé
A Terra Indígena Sararé liderou, em 2024, o ranking das terras indígenas mais desmatadas em toda a Amazônia Legal. Dados do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro do ano passado, revelam que o desmatamento associado à área cresceu impressionantes 729% entre os anos de 2021 e 2024. O estudo analisou nove estados da região e apontou a expansão do garimpo ilegal como o principal fator por trás da devastação ambiental.
O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro do território indígena, com utilização de equipamentos como escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção. Dos 67 mil hectares totais da terra indígena, mais de três mil já foram destruídos pela exploração ilegal de ouro. Estima-se que cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas atuem dentro de Sararé, gerando frequentes conflitos armados na região.
Operações de fiscalização e neutralização de equipamentos
Nos últimos anos, operações de fiscalização têm sido intensificadas para combater as atividades ilegais em Sararé. Em um período de quase dois meses, mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e diversas estruturas de suporte logístico foram destruídas durante ações policiais na área. Desde 2023, o número total de escavadeiras neutralizadas em Sararé já ultrapassa 460 unidades, demonstrando a escala do problema e os esforços contínuos para enfrentá-lo.
Essas ações destacam os desafios persistentes na proteção de terras indígenas e na preservação da Amazônia Legal, onde o garimpo ilegal continua a causar danos ambientais irreparáveis e a alimentar ciclos de violência e criminalidade.