Crise climática intensifica chuvas e causa prejuízos a motoristas em Goiás
Chuvas fortes em Goiás causam perda de carro e renda a motorista

Crise climática altera padrões de chuva e provoca danos econômicos em Goiás

Um motorista por aplicativo que teve seu carro completamente destruído durante um alagamento na Marginal Botafogo, em Goiânia, enfrenta um período de incertezas quanto ao ressarcimento do prejuízo e à retomada de sua principal fonte de renda. Há aproximadamente um mês e meio, Manoel Batista Neto, de 55 anos, permanece sem conseguir trabalhar regularmente, dependendo do salário da esposa para cobrir as despesas domésticas básicas.

Tempestade intensa submerge veículo e paralisa atividade profissional

No dia 6 de dezembro, durante um temporal de grande intensidade que atingiu a capital goiana, Manoel testemunhou seu automóvel ficar totalmente alagado. Após auxiliar os passageiros a saírem do veículo, ele ficou ilhado no meio da marginal, com o carro praticamente submerso. Para ser resgatado, o motorista precisou da intervenção do Corpo de Bombeiros.

Natural de Pernambuco, Manoel reside há 35 anos em Goiânia e é pai de dois filhos: uma filha adulta e um adolescente de 16 anos, que depende financeiramente dele e da esposa, Nelma de Oliveira, que trabalha como diarista. Em entrevista, ele revelou que começou a atuar como motorista por aplicativo há cerca de quatro anos, após enfrentar dificuldades para continuar no ramo da vigilância, especialmente devido à sua idade.

"O trabalho de vigilante não está fácil, principalmente por causa da minha idade", explicou Manoel, destacando os desafios do mercado de trabalho para profissionais mais experientes.

Impacto financeiro e apoio familiar em meio à adversidade

Desde o incidente, para conseguir arcar com as despesas domésticas, Manoel tem realizado serviços pontuais de vigilância e segurança. "Eu faço um bico aqui e outro ali para não ficar parado de tudo, né. Porque sem carro, como que faz?", questionou. Ele enfatizou o papel fundamental da esposa neste momento difícil: "Ela é quem está ajudando. Mas ganha pouco. Então, é só para pagar as contas da casa mesmo. Água, energia... para não deixar cortar".

Pastor evangélico, Manoel se apega à fé como fonte de força e esperança. "Minha força vem de Deus. Se não fosse a minha mente e o meu coração serem sarados por Deus, eu já tinha feito besteira", afirmou, demonstrando resiliência emocional diante das circunstâncias.

Relato detalhado do alagamento e priorização aos passageiros

Manoel descreveu que, naquele sábado, transportava um casal quando o temporal começou. A mulher precisou sair do carro por uma das janelas para escapar da enxurrada, enquanto o homem saiu pela porta do passageiro, que já estava com água pela metade. "Quando ele abriu a porta, o carro alagou de vez. Eu saí pelo vidro também porque a força da água estava muito forte do meu lado", detalhou.

Segundo o motorista, que afirmou não haver barreiras no momento em que acessou a Marginal, além da água, havia muitos galhos arrastados pela correnteza. O alagamento ocorreu rapidamente, levando de 10 a 15 minutos para o carro ficar completamente submerso. "Eu priorizei ajudar os passageiros. Tanto que, quando eu fui sair, não deu mais tempo. Optei por aguardar até o último instante o salvamento dos bombeiros. Se eu tentasse entrar na água, a correnteza me levaria para o fundo do córrego", explicou.

Incerteza sobre cobertura de seguro e regulamentação do setor

Manoel relata que paga regularmente o seguro do carro, um modelo Ônix 2020, mas ainda aguarda uma resposta sobre a cobertura do sinistro. A empresa envolvida, uma associação de proteção veicular chamada "Movimento Mais Brasil", informou que daria um retorno até 11 de fevereiro, mais de dois meses após o incidente. "A gente não pode pagar seguro de banco. Paga de cooperativa porque é um valor menor", justificou, mencionando que a mensalidade é de R$ 240.

Essas associações surgiram como alternativas às seguradoras tradicionais, mas sem autorização prévia do poder público. Em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Complementar nº 213, iniciando a regularização dessas empresas. De acordo com o site da Superintendência de Seguros Privados (Susep), vinculada ao Ministério da Fazenda, a primeira fase desse processo, de cadastramento e adequação à legislação, já foi concluída no primeiro semestre do ano passado. Atualmente, o setor passa pela segunda fase, conduzida pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), que define critérios e obrigações para a concessão de autorizações.

Críticas à infraestrutura urbana e apelo por melhorias

O motorista classifica o alagamento na Marginal como um "descaso do poder público" e critica a falta de preparação da cidade para eventos climáticos extremos. "Não pode ter uma chuva que tem alerta para toda a cidade. A gente anda e vê funcionários da prefeitura mexerem em bocas-de-lobo, mas acho que isso não é suficiente. Tem que fazer mais", desabafou.

Enquanto aguarda uma solução para sua situação, que envolve não apenas a perda patrimonial, mas também a manutenção do orçamento familiar, Manoel exemplifica os desafios enfrentados por trabalhadores informais em contextos de desastres naturais agravados pelas mudanças climáticas.