Gladys West, matemática pioneira do GPS, morre aos 95 anos nos Estados Unidos
A matemática norte-americana Gladys West, amplamente reconhecida como a 'mãe do GPS', faleceu aos 95 anos no último domingo, dia 17. A informação foi confirmada pela família através de uma publicação na rede social X, conforme relatado pelo site especializado Engadget. A causa específica da morte não foi divulgada publicamente.
Reações à perda de uma pioneira
A Virginia State University, instituição onde West estudou, e o escritor M.H. Jackson, coautor de sua biografia, expressaram publicamente seu pesar pela morte da renomada matemática. Segundo a publicação da família, Gladys West estava acompanhada por familiares e amigos no momento de seu falecimento, o que trouxe algum conforto em meio à triste notícia.
Trajetória de vida e formação acadêmica
Gladys West nasceu em Sutherland, Virgínia, no dia 27 de outubro de 1930. De origem humilde, sua mãe trabalhava em uma fábrica de tabaco, enquanto seu pai era empregado na ferrovia, conforme registros do Departamento de Defesa dos EUA, atualmente denominado Departamento de Guerra. Apesar de passar grande parte da infância ajudando na fazenda familiar, West nutria um profundo desejo de se tornar uma cientista.
Com dedicação incansável aos estudos, ela conquistou uma bolsa de estudos integral para o Virginia State College, uma universidade pública historicamente negra. Em 1952, West concluiu seu bacharelado em matemática, e em 1955 obteve um mestrado na mesma área, pouco antes de iniciar sua carreira na Marinha dos Estados Unidos.
Contribuições fundamentais para o desenvolvimento do GPS
De acordo com o governo americano, Gladys West integrou um seleto grupo de mulheres que atuavam na computação para os militares dos EUA durante os primeiros anos da Guerra Fria. Esse grupo foi responsável por desenvolver a tecnologia base que deu origem ao Sistema de Posicionamento Global (GPS).
A Marinha contratou West em 1956 para trabalhar na programação de computadores e codificação no Campo de Provas Navais em Dahlgren, Virgínia. No início da década de 1960, ela participou de um estudo astronômico premiado que comprovou a regularidade do movimento de Plutão em relação a Netuno, demonstrando sua expertise em cálculos complexos.
Posteriormente, a partir dos anos 1970, Gladys West utilizou algoritmos sofisticados para considerar variações nas forças gravitacionais, de maré e outras distorções que afetam a forma da Terra. Ela programou o computador IBM 7030 para produzir cálculos cada vez mais precisos, resultando em um modelo extremamente detalhado do formato do planeta. Esse modelo acabou se tornando a base para a órbita do GPS utilizada por satélites, consolidando seu legado como uma das mentes mais importantes por trás dessa tecnologia revolucionária.