O Rio Piracicaba, conhecido por sua beleza natural, esconde riscos que não são visíveis a olho nu, conforme alerta do guia de pescas Gian Carlos Machado. Na área urbana do rio, existem trechos que aparentam ser rasos, mas que ocultam poços profundos, redemoinhos e correntezas capazes de puxar pessoas e objetos para baixo com força surpreendente.
Tragédia recente reforça os perigos
No último domingo (25), Paulo Augusto Duarte, morador de Rio Claro (SP), desapareceu após entrar para nadar no rio. O corpo dele foi encontrado na manhã desta terça-feira (27), em um ponto próximo à rampa dos Navegantes, evidenciando os riscos letais das águas aparentemente tranquilas.
Profundidades variáveis e redemoinhos perigosos
Com o uso de equipamentos específicos e a orientação do guia Gian, a EPTV, afiliada da TV Globo, demonstrou que, perto da ponte dos Navegantes, a profundidade oscila rapidamente devido à formação rochosa, podendo variar de 9 a 12 metros em questão de metros. Já próximo à Rua do Porto, a água muda de 70 centímetros para quase dois metros em poucos passos.
"Você está confiante achando que está tudo bem, dá dois passos e começa o afogamento", afirma o guia Gian Carlos Machado. Ele complementa: "Até para quem está com embarcação é muito arriscado. Tem que passar nos pontos corretos, porque em casos rasos as pedras são afiadas e podem rasgar os cascos da embarcação".
Em áreas onde a água gira em forma de redemoinho, como perto da Casa do Povoador, no final do salto do Rio Piracicaba, o movimento puxa para o fundo tudo o que está na superfície. A água turva também dificulta a visualização, fazendo com que quem entra no rio perca a referência rapidamente, aumentando o risco mesmo para nadadores experientes.
Orientações dos bombeiros para segurança
O capitão do Corpo de Bombeiros, Fábio Henrique Giovani, reforçou que todo ambiente aquático deve ser respeitado, pois o risco surge quando a própria pessoa se coloca em perigo. Entre as recomendações essenciais estão:
- Uso de coletes salva-vidas em todas as atividades no rio
- Utilização de boias e equipamentos de segurança, mesmo em lazer
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, que retardam os reflexos
- Em embarcações, o colete é crucial, pois barcos podem afundar repentinamente
Relato emocionante do amigo da vítima
Augusto Neto, amigo de Paulo Augusto Duarte, estava com ele no momento do desaparecimento e tentou convencê-lo a não entrar na água. Segundo seu relato, Paulo decidiu atravessar o rio, mas foi levado pela correnteza antes que pudesse ser impedido.
"Eu achei que ele ia mergulhar por baixo. Aí começou a bater o desespero", contou Augusto, que acionou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros imediatamente após perceber o desaparecimento. "Eu estava junto com ele, presenciei tudo. Está difícil", desabafou.
Este caso trágico serve como um alerta urgente para a comunidade sobre os perigos ocultos do Rio Piracicaba, destacando a importância de seguir as orientações de segurança para prevenir novas fatalidades.