Rio Iaco ultrapassa cota de alerta e força decreto de emergência em Sena Madureira, Acre
O Rio Iaco, localizado no município de Sena Madureira, no interior do Acre, registrou uma elevação preocupante de mais de um metro nas últimas 24 horas, ultrapassando a cota de alerta de 14 metros nesta quinta-feira, 29 de fevereiro. Diante da rápida subida do nível das águas, o prefeito Gerlen Diniz, do Partido Progressista (PP), decretou situação de emergência nível II para a cidade, uma medida que visa agilizar recursos e ações de socorro.
Níveis críticos e evacuações imediatas
Por volta do meio-dia desta quinta-feira, o Rio Iaco atingiu a marca de 14,70 metros, ficando a apenas 50 centímetros da cota de transbordo, que é de 15,20 metros. O decreto de emergência já foi redigido e deve ser publicado no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira, 30 de fevereiro, formalizando a resposta do poder público à crise.
Na última quarta-feira, 28 de fevereiro, o manancial estava em 12,98 metros, o que significa um aumento expressivo de 1,72 metros em um curto período, impulsionado pelas fortes chuvas que têm castigado a região. A Defesa Civil Municipal informou que as chuvas afetaram diretamente famílias dos bairros Praia do Amarílio, Cafezal e Centro, que começaram a ser retiradas de suas residências na manhã desta quinta-feira.
De acordo com a Defesa Civil, cerca de 100 pessoas devem ir inicialmente para os abrigos que estão sendo montados na quadra da Escola Messias Rodrigues, no bairro da Pista, e na Escola Siqueira de Menezes, no Centro. Essas 100 pessoas representam aproximadamente 20 famílias, que estão sendo cadastradas e assistidas em uma operação de contingência acelerada.
Resposta rápida e desafios logísticos
O coordenador da Defesa Civil de Sena Madureira, sargento José Antônio, destacou a velocidade da subida do rio. "O rio subiu da noite para o dia, foi muito rápido. Então, acionamos o Plano de Contingência para que hoje de manhã já fosse feito o cadastro das pessoas e a retirada de suas casas", explicou ele. Normalmente, os abrigos só são montados a partir da cota de alerta, mas a elevação repentina exigiu uma preparação urgente.
"Por conta disso, está sendo feito tudo em cima da hora, tanto a questão do apoio com a retirada das famílias, como construção dos abrigos. Ainda assim, toda a estrutura do poder público e Corpo de Bombeiros já está em campo, prestando assistência às famílias", afirmou o sargento José Antônio, ressaltando os esforços conjuntos para mitigar os impactos.
Outros rios em alerta no Acre
A situação não se limita ao Rio Iaco. O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, informou à Rede Amazônica Acre que outros cinco rios também estão em alerta no estado, refletindo um cenário mais amplo de cheias. Os rios que ultrapassaram a cota de alerta incluem:
- Rio Acre, em Rio Branco, que marcou 13,64 metros às 9h desta quinta-feira, ultrapassando a cota de alerta pela terceira vez em um mês. Às 15h, o nível já estava em 13,89 metros, a apenas 11 centímetros de transbordar novamente. Em Rio Branco, 10 famílias permanecem abrigadas no Parque de Exposições, totalizando 25 pessoas e onze animais, enquanto outras seis famílias, somando 15 pessoas, estão desalojadas.
- Rio Tarauacá, no município de mesmo nome, que registrou 9,39 metros, 89 centímetros acima da cota de alerta de 8,50 metros. As cheias já atingiram 5,2 mil casas na cidade, com 72 pessoas desalojadas, embora a Defesa Civil Municipal tenha confirmado que todas as famílias já retornaram para casa. Cerca de 12 mil pessoas foram afetadas em quatro bairros.
- Rio Juruá, em Porto Walter e Cruzeiro do Sul.
- Rio Abunã, em Plácido de Castro, que marcou 12,51 metros na tarde desta quinta-feira, acima da cota de alerta de 12,20 metros e a apenas 9 centímetros da cota de transbordo de 12,60 metros.
- Rio Envira, em Feijó, que chegou a 11,17 metros, ainda abaixo da cota de alerta de 13,50 metros.
- Rio Purus, em Manoel Urbano, que subiu para 11,91 metros, com um aumento de 19 centímetros em relação à medição anterior. Em Santa Rosa do Purus, ocorreu transbordamento, mas a Defesa Civil não divulgou o nível específico.
Esses dados evidenciam um estado de alerta generalizado no Acre, com múltiplos cursos d'água respondendo às intensas precipitações, exigindo uma coordenação robusta entre as defesas civis municipais e estaduais para proteger as comunidades vulneráveis.