Rio Acre atinge cota de transbordo pela terceira vez em menos de dois meses em Rio Branco
O Rio Acre transbordou novamente na capital acreana, alcançando a cota de transbordo de 14 metros às 18h desta quinta-feira (29). Esta é a terceira vez em menos de dois meses que o manancial ultrapassa essa marca crítica, evidenciando um cenário de repetidas cheias que têm impactado a região de forma significativa.
Elevação rápida e oscilações preocupantes
Segundo a Defesa Civil Municipal, a elevação do rio está diretamente relacionada às chuvas intensas na região de cabeceira. O quantitativo desta quinta-feira representa um aumento expressivo de 1,22 metro em relação ao mesmo horário do dia anterior, quando o nível estava em 12,78 metros. O manancial havia entrado em vazante na terça-feira (27), mas voltou a subir na madrugada, demonstrando uma instabilidade preocupante.
As medições detalhadas mostram uma trajetória ascendente: na quarta-feira (28), o Rio Acre marcou 12,37 metros ao meio-dia, subiu para 12,55 metros às 15h, 12,78 metros às 18h, 13,04 metros às 21h e 13,17 metros à meia-noite. Essa progressão rápida levou ao transbordo confirmado nesta quinta-feira.
Histórico recente de cheias e impactos acumulados
Esta não é a primeira vez que o Rio Acre causa alerta na região. A primeira ocorrência de transbordo no período recente foi em 27 de dezembro do ano passado, quando o manancial atingiu 13,73 metros, ultrapassando a cota de 14 metros horas depois. A segunda vez aconteceu no dia 15 deste mês, com medição de 13,73 metros às 5h.
O tenente-coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil Municipal, destacou que, apesar das oscilações do nível do rio nos últimos dias, os números de desabrigados e desalojados permanecem os mesmos. Isso ocorre porque não houve tempo suficiente para o restabelecimento das áreas afetadas pelas enchentes anteriores.
A previsão é de que essas famílias retornem para casa apenas quando o Rio Acre chegar aos 10 metros, conforme informou o órgão. Essa situação prolongada de emergência tem exigido esforços contínuos de assistência e monitoramento.
Chuvas superam média histórica e agravam situação
A oscilação no nível do rio é provocada pelo volume elevado de chuvas ao longo do mês de janeiro. O acumulado pluviométrico já superou a média histórica esperada, ultrapassando os 570 milímetros na última segunda-feira (26), enquanto a previsão para o mês era de 287,5 milímetros. Esse excesso de precipitação tem sido um fator determinante para as sucessivas cheias.
De acordo com o monitoramento oficial, o manancial está acima da cota de atenção desde o dia 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros. Essa condição persiste, com o rio ultrapassando a marca pela quarta vez em um mês após chuvas intensas na capital.
Impactos humanos e sociais da enchente
Com o nível do manancial chegando a 14,71 metros no dia 22 de janeiro, mais de duas mil pessoas de 27 bairros foram atingidas pelos impactos da segunda enchente em menos de um mês e a terceira em menos de um ano. Nesta última ocorrência, 15 comunidades da área rural foram afetadas, incluindo Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre.
Além disso, sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho, demonstrando a vulnerabilidade de grupos específicos diante desses eventos climáticos.
Os dados consolidados pela Defesa Civil de Rio Branco revelam a extensão do problema:
- 27 bairros afetados na zona urbana
- 633 famílias atingidas na zona urbana, cerca de 2.286 pessoas
- 250 famílias atingidas na zona rural, cerca de mil pessoas
- 10 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 25 pessoas e onze animais
- 6 famílias desalojadas, somando 15 pessoas
- 15 comunidades rurais afetadas
Falcão também informou que houve novas movimentações de famílias por risco geológico, não diretamente relacionadas ao nível do rio. "Nós tivemos outras movimentações de famílias, mas não foi pelo risco hidrológico. Foi por situações de risco geológico. Nesses casos, a gente nem foi para abrigo, foi para o aluguel social", completou o coordenador.
Essa distinção entre riscos hidrológicos e geológicos mostra a complexidade das emergências enfrentadas pela região, onde múltiplos fatores ambientais se combinam para desafiar a capacidade de resposta das autoridades e da comunidade.