Rio Acre atinge 12,37 metros em Rio Branco após chuvas locais; enxurrada em Brasiléia preocupa
O nível do Rio Acre voltou a subir em Rio Branco nesta quarta-feira (28), marcando 12,37 metros na medição das 12h. A elevação ocorreu após chuvas entre a tarde e a noite de terça-feira (27), que totalizaram 32 milímetros em 24 horas na capital acreana. No entanto, a Defesa Civil Municipal esclareceu que esse aumento ainda não reflete as intensas precipitações registradas em Brasiléia, no interior do estado, na região de cabeceira do rio.
Impacto das chuvas em Brasiléia ainda deve chegar à capital
O coordenador da Defesa Civil Municipal de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou ao g1 que o comportamento atual do rio na capital é resultado exclusivo da chuva local. "O aumento que tivemos agora ainda não é dessas águas das cabeceiras. Esse impacto vai chegar daqui a pouco. Tudo o que acontece lá influencia diretamente aqui", afirmou. Ele destacou que Rio Branco é um dos municípios mais impactados por receber água de diversos igarapés e rios menores ao longo da bacia, o que pode levar novamente à cota de alerta.
Em Brasiléia, uma enxurrada na terça-feira (27) registrou 143 milímetros de chuva em 24 horas, volume equivalente a dez dias de precipitação. Com esse acumulado, o nível do rio no município saltou de 3,30 metros para 7,59 metros em apenas um dia. A Defesa Civil local informou que a cota de alerta na cidade é de 9,80 metros e a de transbordo, 11,40 metros.
Chuva intensa causa transtornos e prejuízos na zona rural
A chuva intensa em Brasiléia provocou transtornos e prejuízos, principalmente na zona rural, com:
- Pontes danificadas
- Dificuldades de acesso em comunidades
- Ruas alagadas
- Um deslizamento na Rua Ayrton Senna
- Um carro quase levado pela correnteza no bairro Marcos Galvão
Nas imagens divulgadas pela prefeitura, moradores tentaram evitar que o veículo fosse arrastado pelas águas.
Oscilação do Rio Acre em Rio Branco e acumulado pluviométrico recorde
Na capital, o manancial está abaixo da cota de transbordo, fixada em 14 metros, desde o último sábado (24). Na terça-feira (27), o rio havia entrado em vazante, mas voltou a subir de madrugada. O nível de 12,37 metros desta quarta representa um aumento de 11 centímetros em relação ao dia anterior, quando registrou 12,26 metros ao meio-dia. Ao longo do dia, houve oscilações:
- 15h: 12,15 metros
- 18h: 12,08 metros
- 21h: 12,07 metros
- Meia-noite: 12,08 metros
Segundo a Defesa Civil Municipal, a oscilação no nível do rio é provocada pelo volume elevado de chuvas ao longo do mês. Em janeiro, o acumulado pluviométrico já superou a média histórica, ultrapassando 570 milímetros na última segunda (26), enquanto a previsão para o mês era de 287,5 milímetros.
Histórico recente de enchentes e famílias afetadas
O manancial está acima da cota de atenção desde 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros, ultrapassando a marca pela quarta vez em um mês após chuvas intensas que causaram o transbordamento do Rio Acre pela segunda vez em menos de 30 dias. Com o nível chegando a 14,71 metros em 22 de janeiro, mais de duas mil pessoas de 27 bairros foram atingidas pela segunda enchente em menos de um mês e a terceira em menos de um ano.
Nesta última enchente, 15 comunidades da área rural foram afetadas, principalmente Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre. Sete famílias indígenas foram removidas para um abrigo na Escola Leôncio de Carvalho, com previsão de retorno apenas quando o rio chegar aos 10 metros. Conforme a Defesa Civil de Rio Branco, os impactos incluem:
- 27 bairros afetados
- 633 famílias atingidas na zona urbana (cerca de 2.286 pessoas)
- 250 famílias atingidas na zona rural (cerca de mil pessoas)
- 10 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo (25 pessoas e onze animais)
- 6 famílias desalojadas (15 pessoas)
- 15 comunidades rurais afetadas
A situação permanece sob monitoramento, com alerta para o possível impacto das águas de Brasiléia na capital nos próximos dias.