Rio Acre mantém tendência de elevação após ultrapassar cota de alerta e transbordar em Rio Branco
O Rio Acre continua apresentando um comportamento de elevação preocupante na capital acreana, Rio Branco, após ter ultrapassado a cota de alerta pela terceira vez em um único mês e transbordado horas mais tarde, na última quinta-feira, dia 29. Este já é o terceiro transbordamento registrado em menos de dois meses, evidenciando um cenário crítico para a região.
Medições atualizadas e avanço constante do nível das águas
Conforme dados divulgados pela Defesa Civil Municipal, na medição realizada às 9 horas da manhã desta sexta-feira, dia 30, o manancial atingiu a marca de 14,49 metros. Esse valor representa um acréscimo significativo de 49 centímetros acima da cota de transbordo, estabelecida em 14 metros. O avanço contínuo do nível é diretamente influenciado pelas chuvas intensas registradas na região de cabeceira do rio, que impactam o volume de água que chega à capital.
O monitoramento oficial indica que o rio não para de subir desde a madrugada da última quinta-feira, dia 28. O quantitativo desta sexta-feira representa um aumento expressivo de 85 centímetros em relação ao mesmo horário do dia anterior, quando estava em 13,64 metros, já acima da cota de alerta de 13,50 metros.
Histórico recente de transbordamentos e evolução horária
Na quinta-feira, dia 29, o Rio Acre apresentou uma evolução horária preocupante:
- 13,77 metros ao meio-dia
- 13,89 metros às 15 horas
- 14 metros e transbordo às 18 horas
- 14,14 metros às 21 horas
- 14,20 metros à meia-noite
Este episódio marca o quarto transbordamento em menos de um ano, seguindo um padrão recorrente:
- O primeiro ocorreu em 10 de março de 2025, com nível chegando a 14,13 metros e pico de 15,88 metros, afetando mais de 30 mil pessoas.
- O segundo transbordamento aconteceu em 27 de dezembro do mesmo ano, quando o rio subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas, alcançando 14,03 metros e pico de 15,41 metros, com impacto em mais de 20 mil pessoas.
- O terceiro foi registrado na última sexta-feira, dia 16, com o manancial marcando 14,01 metros na medição das 15 horas.
- A quarta ocorrência se deu na última quinta-feira, dia 29, quando o rio atingiu 14 metros às 18 horas, transbordando pela terceira vez em menos de dois meses.
Posicionamento da Defesa Civil e situação das famílias afetadas
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que ainda não há pedido para novas retiradas de famílias que residem nas áreas alagadas. Ele destacou a enxurrada em Brasiléia na última terça-feira, dia 27, como um fator que contribuiu para o novo transbordamento na capital.
"Aquela chuva em Brasiléia foi a maior no dia no Brasil inteiro, então, trouxe aumento no nível do rio em vários municípios. O primeiro transbordamento ocorreu no dia 27 de dezembro e esse já é terceiro nos últimos 30 dias. Temos muitas chuvas acima da média", afirmou o coronel.
Atualmente, seguem abrigadas dez famílias no Parque de Exposições Wildy Viana, sete famílias indígenas na Escola Leôncio de Carvalho e outras seis em casas de familiares. 27 bairros permanecem afetados pela cheia, sem que tenha sido possível realizar a limpeza completa devido ao novo transbordamento.
Dados detalhados do impacto humano e ambiental
Conforme levantamento da Defesa Civil de Rio Branco, a situação atual apresenta os seguintes números:
- 633 famílias atingidas na zona urbana, correspondendo a aproximadamente 2.286 pessoas
- 250 famílias atingidas na zona rural, cerca de mil pessoas
- 10 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 25 pessoas e onze animais
- 6 famílias desalojadas, somando 15 pessoas
- 15 comunidades rurais afetadas
Contexto climático e previsões para os próximos dias
A oscilação no nível do rio é provocada pelo volume elevado de chuvas ao longo do mês de janeiro. O acumulado pluviométrico já superou a média histórica esperada, ultrapassando os 570 milímetros na última segunda-feira, dia 26, enquanto a previsão para o mês inteiro era de 287,5 milímetros.
De acordo com o monitoramento oficial, o manancial está acima da cota de atenção desde o dia 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros. Esta é a quarta vez em um mês que ultrapassa a marca, após chuvas intensas na capital que causaram o transbordamento do Rio Acre pela segunda vez em menos de 30 dias.
O tenente-coronel Cláudio Falcão complementou: "A previsão é de que suba mais, estou trabalhando com uma expectativa de que chegue até 15 metros agora e depois pode ter uma estabilidade. Até 14,50 metros não temos necessidade de retirar novas famílias pelo transbordamentos, pode ser por outras razões".