Forte ressaca causa estragos no litoral do Paraná e forma novo paredão de areia
A forte ressaca que atingiu o litoral do Paraná, especialmente o município de Matinhos, provocou estragos significativos na orla e formou um novo degrau de areia com aproximadamente 2 metros de altura na tarde de segunda-feira, dia 19. O fenômeno, caracterizado por ventos fortes e marés altas que aceleram a erosão costeira, ocorreu próximo à estrutura dos shows do Verão Maior, evento promovido pelo Governo do Estado.
Danos imediatos e resposta das autoridades
Além da formação do paredão de areia, a ressaca derrubou banheiros químicos instalados na orla, agravando os transtornos para moradores e turistas. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) registrou ventos de até 50 km/h na região, intensificando os efeitos do fenômeno.
Uma equipe da Defesa Civil estadual esteve no local para avaliar os danos, enquanto a Prefeitura de Matinhos confirmou a ação intensa da ressaca na cidade. Em nota, o Instituto Água e Terra (IAT) informou que mobilizou equipes para atuar na área afetada, em conjunto com a empresa responsável pela obra, realizando trabalhos de recomposição da areia durante a noite e nos próximos dias.
Impactos no transporte marítimo e alertas anteriores
A ressaca também afetou o transporte marítimo, com dificuldades para retorno da Ilha do Mel devido às condições adversas do mar. A Prefeitura de Pontal do Paraná comunicou que o transporte por barca foi suspenso por determinação da Marinha, como medida de segurança.
Este não é o primeiro episódio do tipo na região. Em 4 de janeiro, uma ocorrência similar foi registrada, levando a uma contenção emergencial feita por equipes do governo estadual. No dia seguinte, iniciou-se a recolocação de areia para nivelar a orla.
O IAT destacou que a proteção implementada no início do ano ajudou a conter a perda de estrutura da praia e evitou alagamentos na área central de Matinhos, demonstrando a importância das ações preventivas.
Contexto histórico e preocupações ambientais
As obras de engorda da faixa de areia em Matinhos foram concluídas em 2022, mas o fenômeno atual ressalta preocupações ambientais de longa data. Entre 2020 e 2021, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicaram três notas técnicas alertando para graves consequências ambientais, paisagísticas e financeiras do empreendimento.
Os estudos recomendavam o cancelamento dos procedimentos de execução da obra e um novo rito de licenciamento ambiental, apontando que a erosão em Matinhos tem origem na ocupação irregular da região de areia e na degradação da vegetação nativa.
Segundo os pesquisadores, a retirada da vegetação primária de restinga e a ocupação por edificações antrópicas levaram a uma perda significativa do equilíbrio ecossistêmico, aumentando a vulnerabilidade das áreas costeiras a ressacas. Esses alertas destacam a necessidade de abordagens sustentáveis para o gerenciamento costeiro no litoral paranaense.