Enxurrada de igarapés atinge casas em Rio Branco e famílias resistem a abrigo oficial
Enxurrada atinge bairros de Rio Branco; famílias recusam abrigo

Enxurrada de igarapés inunda bairros de Rio Branco e famílias recusam abrigo oficial

Uma forte enxurrada proveniente dos igarapés São Francisco e Dias Martins atingiu residências em pelo menos dois bairros e uma vila de Rio Branco no início da tarde desta sexta-feira, 30 de janeiro. O evento causou inundações significativas, levando a Defesa Civil Municipal a receber oito pedidos formais de remoção de famílias das áreas afetadas.

Áreas impactadas e resposta das autoridades

Segundo informações oficiais da Defesa Civil, as águas já alcançaram os bairros Mocinha Magalhães e Sapolândia, além da Vila Maria, localizada próxima à Estrada do Aeroporto. Contudo, um aspecto preocupante tem sido a resistência dos moradores em aceitar o abrigo disponibilizado no Parque de Exposições Wildy Viana.

O coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil Municipal, explicou à Rede Amazônica Acre que as operações de resgate e acolhimento estão concentradas nesse local. "Eles não querem ir para o abrigo, eles querem, no caso, ser levados para uma igreja, para uma escola, e o nosso abrigo ativo agora é o Parque de Exposições", afirmou. Apesar da estrutura disponível, muitas famílias preferem alternativas como igrejas ou casas de conhecidos.

Relatos dos moradores e situação atual

Francisca Gomes de Lima, ativista social que atua no bairro Mocinha Magalhães, relatou que as águas começaram a subir por volta das 13h na Travessa Belo Jardim. "Essa enchente que está tendo, eles não saíram. Às vezes, eles saem e são levados para uma igreja, ou então a gente arruma uma casa para colocar as coisas das pessoas, porque a realidade é triste", comentou. Com isso, até o momento, não houve retirada efetiva de famílias do local.

A previsão do coronel Falcão é de que os igarapés tenham vazante ainda nesta sexta-feira, mas três equipes de remoção estão preparadas para um possível transporte emergencial. A Defesa Civil mantém alerta para eventuais necessidades de deslocamento.

Contexto do Rio Acre e dados pluviométricos

O Rio Acre voltou a transbordar na quinta-feira, 29 de janeiro, marcando 14,20 metros à meia-noite. Este é o quarto transbordamento em menos de um ano, com um histórico recente que inclui:

  • Primeiro transbordamento em 10 de março de 2025, com nível de 14,13 metros e pico de 15,88 metros, afetando mais de 30 mil pessoas.
  • Segundo em 27 de dezembro de 2025, com nível de 14,03 metros e pico de 15,41 metros, atingindo mais de 20 mil pessoas.
  • Terceiro na sexta-feira, 16 de janeiro, com 14,01 metros.
  • Quarto na quinta-feira, 29 de janeiro, com 14 metros, caracterizando o terceiro transbordamento em menos de dois meses.

Conforme a Defesa Civil de Rio Branco, os impactos atuais incluem:

  • 27 bairros afetados.
  • 633 famílias atingidas na zona urbana, cerca de 2.286 pessoas.
  • 250 famílias atingidas na zona rural, aproximadamente mil pessoas.
  • 10 famílias no Parque de Exposições em situação de desabrigo, totalizando 25 pessoas e onze animais.
  • 6 famílias desalojadas, somando 15 pessoas.
  • 15 comunidades rurais impactadas.

Causas climáticas e acumulado de chuvas

A oscilação no nível do rio é atribuída ao volume elevado de chuvas ao longo do mês de janeiro. O acumulado pluviométrico já superou a média histórica esperada, ultrapassando 570 milímetros na última segunda-feira, 26 de janeiro, enquanto a previsão para o mês era de 287,5 milímetros. O manancial está acima da cota de atenção desde 11 de janeiro, quando marcou 10,44 metros, refletindo chuvas intensas na capital.

Este cenário destaca os desafios contínuos de gestão de emergências em Rio Branco, com famílias enfrentando dilemas entre segurança imediata e preferências pessoais por abrigos alternativos.