Temporal no Paraná provoca estragos generalizados com alagamentos e destelhamentos
A forte chuva que atingiu diversas regiões do Paraná entre a tarde de quarta-feira, 28 de fevereiro, e a madrugada de quinta-feira, 29 de fevereiro, causou estragos significativos em várias cidades do estado. O temporal resultou em alagamentos extensos, destelhamentos de residências e quedas de árvores, afetando a vida de milhares de paranaenses.
Curitiba sofre com alagamentos e volumes pluviométricos elevados
Na capital paranaense, a chuva intensa transformou ruas em verdadeiros rios, com destaque para um incidente no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), onde um veículo ficou preso ao tentar atravessar uma via completamente alagada. Segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a região registrou aproximadamente 55,6 milímetros de chuva após a meia-noite, conforme medições da estação da prefeitura.
Outros bairros da capital também apresentaram volumes pluviométricos preocupantes:
- Bairro Novo: 56,2 mm de precipitação
- Portão: 63,4 mm, o maior registro na cidade
As consequências do temporal em Curitiba incluíram árvores caídas sobre a rede elétrica, o que deixou muitos moradores sem energia. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou que trabalha no restabelecimento do fornecimento para 1.821 unidades consumidoras afetadas.
Cascavel e Guarapuava enfrentam destelhamentos e situações de risco
No oeste do estado, em Cascavel, a Defesa Civil registrou 11 ocorrências relacionadas ao temporal, incluindo destelhamentos e quedas de árvores. Cerca de cinco mil unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica na região. Uma das situações mais dramáticas envolveu a moradora Hellen Regina dos Santos, que precisou esconder os netos debaixo de uma mesa durante a tempestade.
"Veio [a chuva] e deu aquele estouro ali em cima primeiro. Aí meu marido falou: 'vem pra cá'. Foi um susto grande, fiquei apavorada", relatou a dona de casa, que ainda precisou auxiliar o marido, que é cego, enquanto protegia as crianças. A Defesa Civil forneceu lonas para cobrir a parte destelhada da residência.
Em Guarapuava, na região Central do estado, o temporal causou destelhamentos, alagamentos e queda de granizo em diferentes pontos da cidade. A Defesa Civil local registrou 17 ocorrências relacionadas aos estragos. Um morador descreveu a rapidez com que a situação se agravou: "De repente, chegou aquele tufão de vento. Subiu todo. Foi aquela aguaceira, tivemos que tirar todas as tomadas, tirar a TV. Foi bem rápido".
O Simepar registrou em Guarapuava rajadas de vento de até 67,3 km/h por volta das 17h, enquanto a estação de Entre Rios marcou 39,4 mm de chuva durante a quarta-feira.
Previsão meteorológica indica continuidade do tempo instável
O Paraná permanece sob alertas de tempestades para quinta e sexta-feira, conforme boletim meteorológico conjunto do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres da Defesa Civil e do Simepar. Os dias devem seguir o padrão típico de verão, com altas temperaturas e ventos em diferentes níveis da atmosfera que favorecem o desenvolvimento de áreas de instabilidade.
Para quinta-feira, 29 de fevereiro, a previsão indica:
- Tempo instável em praticamente todo o estado
- Muita nebulosidade desde as primeiras horas da manhã
- Forte aquecimento ao longo do dia devido às temperaturas elevadas
- Formação de áreas de instabilidade a partir da tarde
- Risco de tempestades, especialmente na faixa leste do estado
- Possibilidade de volumes elevados de chuva em curto período
- Rajadas de vento, descargas elétricas e queda pontual de granizo
Na sexta-feira, 30 de fevereiro, o tempo segue instável nas regiões Leste, Centro, Norte e Noroeste do Paraná, com possibilidade de pancadas de chuva ao longo do dia. Já no Oeste, Sudoeste e Sul do estado, predomina muita nebulosidade, porém com baixo potencial para chuva.
As autoridades continuam monitorando a situação e orientam a população a tomar medidas de precaução durante este período de instabilidade meteorológica, evitando áreas de risco e seguindo as recomendações da Defesa Civil.