Chuvas intensas em São Paulo deixam 13 mortos em menos de dois meses
Em um período de pouco mais de um mês e meio, o estado de São Paulo já contabiliza 13 vítimas fatais em decorrência das fortes chuvas que têm atingido a região. As mortes estão relacionadas a diversos incidentes, incluindo enchentes, quedas de árvores e deslizamentos de terra, evidenciando a gravidade da situação climática atual.
Casos trágicos ilustram os perigos das enxurradas
Entre os episódios mais recentes, destaca-se o caso de Romeu Macione Neto, de 75 anos, que perdeu a vida na Zona Norte da capital paulista. Ele saiu de casa durante uma forte enxurrada na tentativa de salvar seu carro, mas acabou caindo, sendo arrastado pela água e ficando preso embaixo de outro veículo. Em Guarulhos, na Região Metropolitana, um motociclista desapareceu após tentar enfrentar uma enchente em um córrego, sendo posteriormente resgatado com vida em outro ponto. Curiosamente, esse mesmo local já havia registrado uma morte por enxurrada em dezembro de 2025.
Na Zona Leste de São Paulo, a correnteza arrastou outro motociclista, que teve a sorte de ser salvo por um morador local. Além disso, há cerca de dez dias, em um córrego da capital, a força das águas carregou um carro com um casal, resultando na morte de ambos. No litoral, especificamente em Ilhabela, dois homens também faleceram em dezembro devido às condições climáticas adversas.
Alertas da Defesa Civil e orientações de segurança
Diante do aumento dos eventos extremos, a Defesa Civil do Estado de São Paulo tem emitido alertas para a população por meio de mensagens no celular. Esses avisos são acionados assim que meteorologistas identificam a formação de temporais, com o objetivo de dar tempo para que as pessoas busquem proteção adequada. "Não subestime esses alertas e jamais enfrente os riscos. Jamais tente transpor uma correnteza, uma enxurrada, jamais entre com seu veículo ou até em uma área alagada. Jamais fique abrigado embaixo de árvores, jamais fique abrigado perto de estruturas metálicas, redes de transmissão. Procure sempre um abrigo seguro em uma edificação segura, em uma área segura", afirma o tenente-coronel Adriano José Baruffaldi, da Defesa Civil de SP.
Crescimento dos desastres e desafios urbanos
As orientações ganham relevância extra considerando os eventos climáticos extremos e o histórico de crescimento desordenado das cidades, marcado pela ocupação de áreas de várzea e desvios no curso de rios. Dados da Defesa Civil Municipal de São Paulo mostram que as ocorrências registradas – que abrangem quedas de árvore, inundações, alagamentos e deslizamentos – aumentaram em mais de 25% de 2024 para 2025.
Anderson Kazuo Nakano, professor do Instituto das Cidades da Unifest, ressalta a necessidade de fortalecer não apenas a Defesa Civil, mas também as comunidades. "Trabalhar a percepção de risco junto à sociedade é crucial. Considerando que já conhecemos as áreas que podem ser impactadas por esses desastres, devemos pensar em formas de recuperação e reconstrução. Os desastres estão aumentando, as vítimas estão aumentando e os impactos estão aumentando. Por causa disso e da lentidão e omissão do poder público nas estratégias de adaptação do espaço urbano, o que está sendo feito não está sendo suficiente", alerta o especialista.
Com a temporada de chuvas ainda em curso, as autoridades reforçam a importância de seguir as recomendações de segurança para evitar novas tragédias. A população deve ficar atenta aos alertas e adotar medidas preventivas, buscando abrigos seguros e evitando áreas de risco durante períodos de tempestade.