Estudantes enfrentam crise de mobilidade com suspensão de ônibus entre Petrolina e Juazeiro
Ônibus entre Petrolina e Juazeiro parados, estudantes em crise

Crise de mobilidade afeta estudantes e trabalhadores entre Petrolina e Juazeiro

Usuários da linha de ônibus que conecta as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, estão enfrentando sérios problemas de deslocamento após a suspensão repentina dos veículos. A situação tem impactado diretamente quem estuda ou trabalha em uma cidade e reside na outra, obrigando muitos a recorrerem a alternativas mais caras, como transporte por aplicativo, para cumprir seus compromissos diários.

Relatos de estudantes evidenciam prejuízos financeiros e logísticos

O estudante Igor Leonardo, residente no bairro Piranga, em Juazeiro, compartilhou sua experiência frustrante. Ele utiliza regularmente o ônibus para chegar ao IFSertãoPE, localizado no bairro João de Deus, em Petrolina, onde cursa Licenciatura em Química. No entanto, desde o dia 19 de janeiro, ele se deparou com uma surpresa desagradável ao tentar retornar para casa após as aulas.

“Depois das minhas aulas, eu vim aqui para esperar o ônibus passar e não pude ir para casa. Eu tive que ficar até tarde da noite esperando, e só consegui voltar para casa, porque paguei um uber rachado com os meus amigos, porque senão eu não ia ter o dinheiro para pagar. Não teve aviso, eles cortaram o ônibus e não avisaram em lugar nenhum”, afirmou Igor Leonardo, destacando a falta de comunicação sobre a interrupção do serviço.

Maria Clara Cruz, outra estudante do IFSertãoPE que mora em Juazeiro, também está enfrentando desafios semelhantes. Sem a opção do ônibus para chegar à universidade, ela tem utilizado transporte por aplicativo para não perder as aulas, o que resulta em custos adicionais significativos.

“Ontem, para voltar para casa, foi R$ 19 e, às vezes, quando a gente é liberado mais cedo, a gente tem que pegar um ônibus de Petrolina e atravessar a ponte e eu ainda pego um ônibus do bairro. Fica muito puxado, porque é cansativo”, relatou Maria Clara, enfatizando o desgaste físico e financeiro envolvido.

Incerteza sobre a continuidade dos estudos preocupa comunidade acadêmica

A situação tem gerado muita apreensão entre os estudantes, que questionam sua capacidade de manter a frequência nas aulas diante dos custos elevados. Kathleen Torres, outra estudante afetada, expressou sua preocupação com o impacto no orçamento pessoal.

“O valor que eu gastava em um mês, eu estou gastando em uma semana. Mas, vai chegar um momento que vai estar fora do meu orçamento e eu não sei se eu vou conseguir vir ou se eu vou ter que atravessar a ponte a pé e estar pegando ônibus em Petrolina”, destacou Kathleen, ilustrando o dilema enfrentado por muitos.

Contexto da operação e irregularidades apontadas pela ANTT

No início de dezembro de 2023, a empresa Atlântico Transportes anunciou uma parceria com a Joafra, atual detentora da concessão, para operar a linha interestadual entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Com essa mudança, houve também um reajuste na tarifa, que passou a custar cinco reais. No entanto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) emitiu uma nota esclarecendo a situação.

A ANTT informou que a linha encontra-se regularmente autorizada para operação pela empresa Joafra, mas não existe autorização concedida pela agência para a Atlântico Transportes. A agência identificou a ocorrência de uma transferência irregular entre as duas empresas, realizada sem a devida comunicação, anuência ou regularização junto à ANTT, em desacordo com a legislação vigente.

Como resultado, a ANTT adotou providências para apurar as responsabilidades e implementar medidas administrativas pertinentes. Até o momento, as empresas Atlântico e Joafra não se posicionaram publicamente sobre a transferência irregular citada pela agência reguladora.

Essa crise de mobilidade entre Petrolina e Juazeiro destaca a importância de um transporte público eficiente e regulamentado, especialmente para comunidades que dependem desses serviços para acesso à educação e trabalho. A resolução desse impasse é aguardada com expectativa pelos usuários afetados.