Greve de rodoviários paralisa São Luís pelo segundo dia consecutivo
Neste sábado (31), São Luís enfrenta o segundo dia consecutivo sem a circulação de ônibus devido à greve dos rodoviários. A paralisação, que começou na sexta-feira (30), afeta diretamente mais de 700 mil pessoas que dependem do transporte público na capital maranhense, gerando caos e transtornos significativos na mobilidade urbana.
Liminar judicial ignorada e paradas vazias
Apesar de uma liminar emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinando a circulação imediata de 80% da frota de ônibus, as ruas de São Luís permaneceram sem veículos ao longo do dia. As paradas de ônibus ficaram completamente vazias, enquanto passageiros desesperados buscavam alternativas para chegar ao trabalho ou retornar para suas casas.
Sem opções de transporte coletivo, muitos recorreram a vans, carros particulares e veículos por aplicativo, concentrando-se em pontos estratégicos como o Anel Viário. “Para quem depende exclusivamente do ônibus, a situação é extremamente difícil. É uma falta de respeito com a população”, desabafou uma passageira, refletindo o sentimento geral de frustração.
Crise histórica no transporte público
A greve atual não é um evento isolado, mas sim mais um capítulo de uma crise crônica no sistema de transporte público de São Luís. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, pelo menos sete paralisações gerais foram registradas nos últimos anos, evidenciando problemas estruturais persistentes.
Há uma semana, trabalhadores da empresa Expresso Rede França, antiga 1001, iniciaram uma paralisação específica. Essa foi a terceira interrupção em menos de três meses, todas motivadas por atrasos no pagamento de salários e benefícios. Agora, a greve geral amplia o conflito, expondo também um impasse sobre o reajuste salarial previsto para 2026, com a categoria exigindo aumentos de até 12%.
Mediação judicial sem acordo e ameaças de multa
Uma audiência de mediação realizada na tarde de sexta-feira (30) entre o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) terminou sem qualquer acordo. A reunião, mediada pelo desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho na sede do TRT, não conseguiu resolver as divergências, mantendo a greve em vigor.
O Tribunal Regional do Trabalho já alertou que poderá aplicar uma multa diária de até R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários caso a decisão judicial não seja cumprida. Além disso, o órgão pode determinar o bloqueio de recursos da entidade em caso de descumprimento contínuo, aumentando a pressão sobre as partes envolvidas.
Reivindicações dos trabalhadores e justificativas das empresas
Os rodoviários alegam enfrentar condições difíceis de trabalho, incluindo jornadas exaustivas e falta de benefícios adequados. Entre as principais demandas apresentadas estão:
- Reajuste salarial de 15%
- Tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500
- Inclusão de mais um dependente no plano de saúde
Durante a audiência, os empresários apresentaram uma contraproposta de reajuste de 12%, comprometendo-se a discutir sua viabilidade. No entanto, os trabalhadores consideram a oferta insuficiente, mantendo a paralisação.
Do lado das empresas, os empresários argumentam que o congelamento da tarifa de ônibus desde 2023 tem pressionado os custos operacionais do sistema, dificultando a concessão de aumentos salariais significativos.
Posicionamento do poder público
A Prefeitura de São Luís informou que está em dia com o repasse de subsídios às empresas de transporte, conforme previsto em contrato. Já a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) afirmou que mantém regularmente o pagamento do subsídio estadual, ao mesmo tempo em que cobra maior transparência nos custos do sistema.
O órgão estadual considerou “estranha” a paralisação das linhas semiurbanas, sugerindo que não haveria motivos técnicos para essa extensão da greve.
Próximos passos e continuidade dos transtornos
Com o impasse mantido, uma nova audiência entre trabalhadores e empresários está marcada para a próxima terça-feira (4), às 9h, novamente na sede do Tribunal Regional do Trabalho. Até lá, não há previsão de retorno do serviço de transporte público.
A população de São Luís continua enfrentando transtornos diários e gastos extras com transporte alternativo, enquanto aguarda uma solução para o conflito que já se estende por dias e reflete problemas profundos na mobilidade urbana da capital maranhense.