Michelle Bolsonaro dá recado à direita com apoio a Tarcísio e Zema
Michelle sinaliza apoio a Tarcísio e Zema, ignorando Flávio

Uma série de publicações nas redes sociais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, entre os dias 14 e 16 de janeiro de 2026, gerou um terremoto político ao sinalizar novos rumos para o bolsonarismo. As ações, aparentemente simples, consistiram em compartilhar e impulsionar vídeos de dois governadores conservadores, ignorando completamente o senador Flávio Bolsonaro, que já lançou sua pré-candidatura à Presidência.

As "alfinetadas" estratégicas nas redes sociais

A primeira movimentação ocorreu quando Michelle Bolsonaro compartilhou um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, discursando com um tom claramente presidencial. Dois dias depois, foi a vez de ela dar visibilidade a um conteúdo semelhante do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também visto como um potencial candidato ao Planalto.

O silêncio em relação a Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e único com pré-candidatura oficialmente anunciada dentro do movimento, foi o elemento que transformou os gestos em uma mensagem de alto impacto. Para o cientista político Elias Tavares, entrevistado pelo programa Ponto de Vista, a atitude foi calculada. "Ela faz uma alfinetada simbólica: 'você não é a única opção do bolsonarismo — e eu também sou uma Bolsonaro'", analisou o especialista.

O posicionamento de Michelle e o enfraquecimento de Flávio

Michelle Bolsonaro, que preside o PL Mulher e tem percorrido o país, não se limita a apontar alternativas. Ela também se coloca como um nome forte no tabuleiro. Pesquisas internas mostram que ela possui desempenho superior ao de vários governadores e uma conexão particularmente eficaz com bases eleitorais cruciais, como o eleitorado evangélico e o feminino.

A estratégia de Flávio Bolsonaro, que antecipou o lançamento de sua pré-candidatura no fim de 2025 justamente para conter o protagonismo da ex-primeira-dama, parece não ter surtido o efeito desejado. Ao ignorá-lo e valorizar outros nomes, Michelle reforça a percepção de que ele não é uma unanimidade e amplia a fragmentação interna do campo.

Cenários possíveis para 2026

Nos bastidores, circulam várias hipóteses sobre os próximos passos de Michelle. Entre elas estão uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, uma vaga como vice em uma chapa presidencial ou um papel de grande influência na definição da candidatura do movimento.

Elias Tavares considera "absolutamente possível e politicamente forte" um cenário que una Tarcísio de Freitas como candidato a presidente e Michelle Bolsonaro como vice. A viabilidade de Tarcísio, segundo o analista, só estaria descartada se ele optasse por permanecer no governo paulista após o prazo de desincompatibilização.

Enquanto isso, o bolsonarismo vive um impasse público. De um lado, Flávio Bolsonaro busca se consolidar como herdeiro natural do capital político da família. De outro, lideranças e a própria Michelle indicam que o campo está em aberto. Esta divisão, escancarada nas redes sociais, é acompanhada de longe pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se beneficia historicamente de um cenário de adversários fragmentados.

A sequência de posts, portanto, vai muito além de um simples compartilhamento. É um movimento estratégico que reposiciona peças, cria símbolos e lança a disputa pela sucessão do bolsonarismo para o centro do debate político nacional, muito antes das eleições de 2026.