Diretor de Segurança Cibernética dos EUA é alvo de questionamentos após usar ChatGPT com documentos sensíveis
O diretor interino da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos, Madhu Gottumukkala, enfrenta questionamentos internos significativos após ter inserido documentos sensíveis em uma versão pública do ChatGPT. A revelação foi feita pelo site Politico, com base em relatos de quatro funcionários ligados ao Departamento de Segurança Nacional que tiveram conhecimento do episódio, levantando preocupações sobre a segurança de informações governamentais críticas.
Detalhes do incidente e classificação dos documentos
Segundo as fontes consultadas, Gottumukkala solicitou autorização para utilizar a ferramenta de inteligência artificial pouco depois de assumir o cargo, em maio de 2025. No entanto, os documentos compartilhados estavam classificados como "uso oficial", uma categoria reservada a informações consideradas sensíveis e que não devem ser divulgadas ao público em hipótese alguma. O material teria sido inserido na plataforma durante o verão passado no hemisfério norte, com os primeiros alertas internos sobre o caso surgindo no início de agosto.
Na época do incidente, o uso do ChatGPT era bloqueado para servidores que atuam diretamente na área de segurança interna dos Estados Unidos, o que torna o episódio ainda mais grave. Diante do ocorrido, integrantes de alto escalão do Departamento de Segurança Nacional abriram uma avaliação interna para apurar se houve comprometimento da segurança governamental, embora até o momento não tenham sido divulgadas conclusões oficiais sobre os impactos potenciais.
Resposta da agência e políticas de segurança
Procurada pelo Politico, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura não negou que o diretor interino tenha utilizado o ChatGPT, mas afirmou que o uso foi pontual e restrito. Em nota, um porta-voz destacou que a agência segue comprometida em explorar o potencial da inteligência artificial e de outras tecnologias avançadas como parte do processo de modernização do governo.
O comunicado oficial informou que "o diretor interino Madhu Gottumukkala utilizou o ChatGPT pela última vez em meados de julho de 2025, com autorização temporária concedida a alguns funcionários". A agência reforçou que a política de segurança permanece a mesma: o acesso ao ChatGPT segue bloqueado por padrão, salvo exceções formalmente autorizadas, em um esforço para equilibrar inovação tecnológica com a proteção de dados confidenciais.
Contexto mais amplo e implicações
Este incidente ocorre em um momento em que a inteligência artificial está sendo cada vez mais integrada em operações governamentais, mas também levanta questões sobre os riscos associados ao uso de ferramentas públicas para processar informações sensíveis. A avaliação interna em andamento pode influenciar futuras políticas de segurança cibernética nos Estados Unidos, especialmente em relação ao uso de plataformas de IA por funcionários de alto escalão.
Enquanto isso, em um desenvolvimento paralelo, uma pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo mostra que um modelo de inteligência artificial consegue detectar traços depressivos apenas pela voz, com alta taxa de acerto, especialmente entre mulheres, a partir de áudios curtos descrevendo a rotina semanal. Isso ilustra o duplo aspecto da IA: tanto como ferramenta promissora para avanços em saúde quanto como um potencial vetor de vulnerabilidades quando mal utilizada em contextos sensíveis.