Diretor premiado do cinema mergulha na polêmica da inteligência artificial com nova série histórica
O renomado cineasta Darren Aronofsky, responsável por obras aclamadas como Réquiem para um Sonho, Cisne Negro e A Baleia, está dando um passo ousado em direção às fronteiras da tecnologia no audiovisual. Ele agora atua como produtor de uma das primeiras séries animadas utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa, em uma parceria estratégica com a divisão Google DeepMind e a revista TIME.
Uma produção que navega entre tradição e inovação
Intitulada On This Day… 1776, a série aborda eventos marcantes da Revolução Americana, que culminou na independência dos Estados Unidos da colonização inglesa. O lançamento coincide com a celebração dos 250 anos desse marco histórico em 2026. Os dois primeiros episódios foram disponibilizados no canal oficial do YouTube da TIME nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, com novos conteúdos programados para serem divulgados semanalmente.
A produção representa um dos movimentos mais significativos de um cineasta consagrado em direção à incorporação da IA no ecossistema de Hollywood. Para equilibrar a inovação tecnológica com as preocupações éticas do setor, a equipe adotou uma abordagem cuidadosa:
- Licenciamento de imagens: A aparência dos personagens foi licenciada de atores reais, garantindo o respeito aos direitos de imagem.
- Dublagem humana: Profissionais foram contratados para fornecer as vozes dos personagens, assegurando que a emoção e a expressividade permaneçam autênticas.
- Equipe criativa tradicional: O roteiro é assinado por Lucas Sussman, e a trilha sonora original foi composta por Jordan Dykstra.
O delicado debate sobre IA na indústria criativa
A inteligência artificial tem sido um tópico extremamente sensível em Hollywood, especialmente após a greve de quase quatro meses do sindicato de atores dos Estados Unidos em 2023. Entre as principais reivindicações estavam:
- A garantia dos direitos de imagem dos artistas.
- A rejeição ao uso da IA como substituto desalmado das performances humanas.
Recentemente, a polêmica ganhou novos capítulos com a rejeição de astros consagrados, como Emily Blunt, Ben Affleck e Whoopi Goldberg, à "atriz" gerada artificialmente Tilly Norwood. Nesse contexto, a série de Aronofsky busca estabelecer um meio-termo entre a tecnologia e a arte tradicional.
Uma visão de futuro para a narrativa audiovisual
Para Ben Bitonti, presidente dos estúdios TIME, o projeto não visa substituir o trabalho artesanal, mas sim expandir as possibilidades criativas. "É um vislumbre do que um time dedicado, criativo e formado por artistas pode fazer com a IA. Queremos permitir que contadores de histórias acessem espaços que simplesmente não podiam antes", afirmou.
A iniciativa demonstra como a inteligência artificial pode ser integrada de maneira ética e colaborativa, preservando o valor humano na criação artística enquanto explora novos horizontes narrativos. Com a expertise de Aronofsky e o suporte tecnológico de gigantes como Google DeepMind, On This Day… 1776 promete ser um marco no diálogo entre cinema e inovação digital.