30% dos brasileiros já usaram IA para entender temas complexos, revela pesquisa
Pesquisa: 30% dos brasileiros usam IA para temas complexos

Uma pesquisa recente do Instituto Nexus trouxe um retrato inédito sobre como os brasileiros estão utilizando ferramentas de inteligência artificial para decifrar assuntos considerados difíceis. O estudo aponta que 30% da população adulta do país – o equivalente a três em cada dez pessoas – já buscou ajuda de sistemas de IA para compreender temas complexos, como política, economia e ciências.

Perfil do usuário de IA para aprendizado

Os dados revelam um cenário de adoção desigual, marcado por fortes divisões geracionais e socioeconômicas. O uso é significativamente mais intenso entre os jovens da geração Z, aqueles com idades entre 18 e 30 anos. Neste grupo, a penetração do hábito chega a 40%, ou seja, quatro em cada dez jovens já recorreram à inteligência artificial com esse propósito.

No extremo oposto da pirâmide etária, entre os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), apenas 13% relatam ter utilizado IA para entender temas complexos. Essa disparidade evidencia como a familiaridade com a nova tecnologia é um fenômeno concentrado nas gerações mais novas.

Escolaridade e renda são fatores decisivos

A pesquisa demonstra que o acesso e o uso da IA para fins educacionais ou de compreensão também estão intimamente ligados ao nível de instrução e ao poder aquisitivo. Entre os brasileiros com ensino superior completo, 39% já utilizaram a ferramenta. O índice cai para 32% entre quem possui ensino médio e despenca para 20% entre aqueles com apenas o ensino fundamental.

A renda segue a mesma tendência. No grupo que recebe mais de cinco salários mínimos, 39% usam IA para desvendar assuntos complexos. Em contraste, entre os que ganham até um salário mínimo, a proporção é de apenas 22%. A frequência de uso também varia: do total de usuários, 10% afirmam utilizar as ferramentas frequentemente para esse fim, enquanto 20% o fizeram apenas algumas vezes.

Metodologia e confiabilidade do estudo

A pesquisa foi realizada de forma presencial com 2.012 cidadãos com 18 anos ou mais, abrangendo todas as 27 Unidades da Federação. O trabalho de campo aconteceu entre os dias 26 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%, o que garante robustez estatística aos resultados apresentados.

Os números do Instituto Nexus sugerem que a inteligência artificial está começando a se firmar no Brasil não apenas como ferramenta de produtividade ou entretenimento, mas como uma nova via de acesso ao conhecimento. No entanto, o caminho para uma democratização plena desse recurso ainda esbarra em barreiras educacionais e econômicas, que precisam ser observadas por formuladores de políticas públicas e pela sociedade como um todo.