Alunos de Leme criam app gratuito de primeiros socorros com IA para salvar vidas
App gratuito de primeiros socorros criado por alunos de Leme

Jovens de Leme desenvolvem solução tecnológica para emergências médicas

Um grupo de estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Deputado Salim Sedeh, localizada em Leme, no interior de São Paulo, acaba de criar uma ferramenta digital inovadora voltada para situações críticas de saúde. Os alunos desenvolveram um aplicativo completamente gratuito que tem como objetivo principal agilizar e facilitar atendimentos de primeiros socorros, fornecendo informações básicas e essenciais para auxiliar pessoas em momentos de emergência.

Pax AI: assistente virtual com foco em salvar vidas

Batizado de "Pax AI – Assistente Virtual Auxiliar em Primeiros Socorros", o aplicativo foi concebido como projeto de conclusão de curso pelos formandos do curso de desenvolvimento de sistemas da instituição. A plataforma, que atualmente está disponível exclusivamente para dispositivos com sistema operacional Android, pode ser baixada sem custo algum pelos usuários.

A equipe responsável pela criação é composta pelos estudantes Arthur de Paula Ferreira, Felipe Quierelli de Souza, Gabrielly Bueno Dionizio, João Augusto Correa Masculi e Octávio Augusto Soares Weishaupt, com orientação do professor Alexandre Marchi. Em entrevista, os jovens compartilharam as motivações, objetivos e desafios enfrentados durante o processo de desenvolvimento desta ferramenta que promete impactar positivamente a sociedade.

Inspiração em dados alarmantes

Desde o início do planejamento do trabalho final, o grupo já manifestava o desejo de desenvolver uma proposta com viés social, oferecendo soluções concretas para problemas reais da população. O estudante João Augusto revela que foi necessário realizar extensa pesquisa antes de chegar a uma decisão sobre o tema.

"Encontramos dados mostrando que mais de três milhões de pessoas morrem anualmente devido à falta de instruções adequadas de primeiros socorros em situações de emergência. Diante desse número expressivo e de uma situação que poderia ser resolvida com orientação simples, decidimos criar uma solução prática, que se materializou no Pax AI", explica o jovem desenvolvedor.

A ideia central era possibilitar que qualquer cidadão tivesse, literalmente na palma da mão, um meio de obter ajuda imediata durante crises de saúde. Dessa forma, o aplicativo promove a democratização do acesso a conhecimentos sobre primeiros socorros, que tradicionalmente ficavam restritos a profissionais da área médica, brigadistas e indivíduos com treinamento específico.

Desenvolvimento com rigor técnico e consultoria especializada

O processo de criação contou com o apoio fundamental do professor orientador André Cândido. Por se tratar de uma plataforma que lida diretamente com vidas humanas e situações delicadas, os alunos adotaram precauções extras, buscando validação médica antes de implementar qualquer funcionalidade.

O grupo dedicou horas a consultorias e entrevistas com médicos da região, que forneceram fontes confiáveis para coleta de informações, protocolos padronizados e, posteriormente, realizaram a conferência e aprovação do material que seria integrado ao aplicativo.

Uma das tecnologias centrais aplicadas no projeto é o uso de buscadores de Inteligência Artificial (IA). Essa ferramenta foi empregada para garantir a agilidade desejada pelos estudantes e para a seleção precisa de informações valiosas. Para isso, foi necessário "treinar" o sistema, fazendo com que ele consultasse apenas as fontes indicadas e validadas pelos profissionais de saúde, assegurando assim a procedência e veracidade dos protocolos disponibilizados aos usuários.

A integrante Gabrielly Bueno relata que a fase mais demorada e desafiadora do desenvolvimento ocorreu durante a pesquisa e seleção das ferramentas de IA. "Existe uma vasta oferta de diferentes plataformas no mercado, e passamos aproximadamente dois meses analisando quais delas faziam sentido e se adequavam aos requisitos que estabelecemos", conta a estudante.

Funcionalidades pensadas para o usuário

Descrita como "intuitiva" pelos seus criadores, a interface do aplicativo foi projetada com foco na objetividade, permitindo que a pessoa que acessa em busca de ajuda imediata não se distraia com informações supérfluas.

Ao interagir com o chat, o usuário recebe orientações em formato de passo a passo sobre como proceder, de maneira direta e clara. O modelo de conversa foi escolhido por já ser familiar ao grande público, que vem tendo contato crescente com ferramentas de IA que operam de forma similar.

Características técnicas notáveis:

  • A plataforma funciona tanto com conexão à internet quanto no modo offline
  • Na versão online, oferece acesso completo a protocolos de socorro para diversos cenários
  • No modo offline, disponibiliza orientações para aproximadamente 70 situações classificadas como mais recorrentes
  • Incorpora recursos de geolocalização precisa, permitindo o acionamento automático de serviços de emergência direcionados ao local exato do usuário, mesmo sem internet
  • Possibilita o cadastro prévio de contatos de confiança, para envio automático de mensagens de texto informando sobre a emergência

Planos ambiciosos para o futuro

Os desenvolvedores deixam claro seus objetivos para o Pax AI: manter a gratuidade, realizar aprimoramentos constantes e ampliar cada vez mais sua difusão, potencializando o salvamento de vidas.

Para alcançar essas metas, o grupo planeja estabelecer parcerias com grandes empresas de tecnologia (as chamadas "Big Techs") ou mesmo com o Governo Federal, visando expandir o alcance da ferramenta.

Arthur de Paula detalha a estratégia traçada: "Para chegar até as grandes empresas e ao governo federal, pretendemos iniciar pelo governo local de Leme. Temos contatos com vereadores e outras pessoas que demonstraram grande interesse na ideia. Com esse apoio, poderíamos ganhar credibilidade através da implementação do aplicativo nas escolas da cidade".

Iniciando em escala reduzida, os desenvolvedores buscam construir reputação e confiabilidade, especialmente entre profissionais da saúde. Aumentando gradualmente o número de acessos e criando uma comunidade engajada, acreditam ser possível atrair parceiros de maior porte.

Mantendo o propósito original de promover bem-estar e salvar vidas, Arthur complementa: "Conseguindo estabelecer contato, essas empresas poderiam se interessar em desenvolver o aplicativo de forma nativa em smartwatches e smartphones, ou seja, o Pax AI já viria pré-instalado nesses dispositivos. Isso tornaria seu uso cada vez mais comum".

No plano dos estudantes, o Governo Federal teria um papel crucial na conscientização e disseminação das funcionalidades do aplicativo, reconhecendo-o como uma utilidade pública capaz de auxiliar cidadãos em momentos de necessidade extrema.