São Paulo registra primeira morte por dengue em 2026; Brasil soma 11 mil casos
Primeira morte por dengue em 2026 confirmada em SP

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou oficialmente o primeiro óbito por dengue no ano de 2026. A vítima é um homem de 53 anos, residente no município de Nova Guataporanga, localizado no interior paulista próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul.

Detalhes do caso e panorama estadual

De acordo com informações do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), os primeiros sintomas da doença no paciente surgiram no dia 3 de janeiro. Até o momento, o estado de São Paulo contabiliza 4.360 casos prováveis de dengue em 2026, conforme dados do painel de arboviroses da SES-SP. Além da morte confirmada, outras duas estão sob investigação para determinar se têm relação com a infecção.

Os municípios que apresentam as maiores taxas de incidência da doença no estado são Araçatuba, com 13,58 casos por 100 mil habitantes, Presidente Prudente, com 8,57, e Taubaté, com 6,68. O cenário reforça a circulação ativa do vírus em diferentes regiões paulistas.

Cenário nacional e alerta de especialista

Em nível nacional, os números também acendem um sinal de alerta. O Brasil já registrou mais de 11 mil casos prováveis de dengue nos primeiros dias de 2026. Nove mortes estão sendo investigadas em todo o país para confirmação do vínculo com a doença. Este cenário se segue a um 2025 marcado pelo quarto ano consecutivo com mais de um milhão de casos de dengue no território nacional.

Para o infectologista Juvencio Furtado, do Hospital Heliópolis, a recorrência anual de surtos de dengue evidencia falhas estruturais e a baixa adesão da população às medidas preventivas essenciais. "A dengue costuma ter manifestações leves, mas pode evoluir para quadros graves, com hemorragias e até óbito", ressalta o médico, destacando que idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido formam o grupo de maior risco.

Duas frentes fundamentais no combate

O especialista defende que a prevenção eficaz se baseia em dois pilares principais. O primeiro e mais tradicional é o controle rigoroso do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Furtado explica que, como o inseto tem um raio de voo limitado e vive próximo às residências, a eliminação de criadouros no entorno das casas é uma ação individual com impacto coletivo. "Se cada um fizer a sua parte, a população de mosquitos diminui ao longo do tempo", afirma, enfatizando que essa tarefa é uma responsabilidade compartilhada entre poder público e cidadãos.

O segundo pilar, considerado um avanço significativo, é a vacinação. O infectologista celebra que a imunização contra a dengue já seja uma realidade no país e destaca o papel crucial das vacinas no enfrentamento de endemias. Ele chama atenção para o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, que tem como grande vantagem a aplicação em dose única. "Isso facilita muito a adesão, porque evita o problema de pessoas que não retornam para a segunda dose", comenta.

Além dessa, há outras opções disponíveis, como a vacina de origem japonesa, que requer duas aplicações. Furtado defende que todas as vacinas aprovadas devem ser utilizadas, seguindo as estratégias definidas pelo sistema de saúde pública, com uma ampliação gradual que acompanhe a capacidade de produção e distribuição.

Vetor exige atenção permanente

Apesar do otimismo com os novos instrumentos de imunização, o médico faz um alerta crucial: o combate ao mosquito não pode ser negligenciado. Ele argumenta que, mesmo em um cenário futuro onde a dengue possa ser controlada, o Aedes aegypti continua sendo um vetor para outras doenças, como zika e chikungunya. "Por isso, o combate ao Aedes precisa ser permanente, com diferentes estratégias, desde a eliminação de criadouros até novas tecnologias de controle", conclui Juvencio Furtado, reforçando a necessidade de uma vigilância constante e ações integradas.