Parteira morre após cesárea: tragédia expõe risco 3x maior para mulheres negras
Parteira morre após parto e alerta para saúde materna negra

A história da médica parteira Janell Green Smith, de 31 anos, é um misto de realização pessoal e tragédia familiar que ressoa como um alerta urgente sobre as desigualdades raciais na saúde materna. Após anos dedicados a assistir dezenas de partos e a militar por um atendimento mais seguro e humanizado, especialmente para mulheres negras, Janell viveu a alegria de dar à luz sua primeira filha, apenas para falecer menos de uma semana depois, no dia 1º de janeiro de 2026.

Uma luta pessoal contra uma estatística assustadora

Natural de Spartanburg, na Carolina do Sul, Janell era uma voz ativa na defesa de partos mais seguros. Nos meses que antecederam o nascimento da filha, inicialmente previsto para fevereiro, ela compartilhava sua expectativa, mas também carregava um medo bem fundamentado. Ela tinha plena consciência de que mulheres negras têm um risco até três vezes maior de morrer por complicações relacionadas à gravidez e ao parto, uma realidade que alimentava sua militância por igualdade no acesso à saúde.

"O pior medo dela acabou se tornando realidade", lamentou uma familiar em entrevista à rede NBC. Durante a gestação, Janell desenvolveu pré-eclâmpsia, uma condição grave caracterizada pela hipertensão arterial que pode levar a complicações fatais para a mãe e o bebê.

Complicações após o parto antecipado

Diante do diagnóstico, a equipe médica optou por antecipar o parto. Janell passou por uma cesariana no dia 26 de dezembro, aproximadamente oito semanas antes da data original. A princípio, sua recuperação parecia transcorrer dentro da normalidade. No entanto, a situação tomou um rumo crítico quando a incisão cirúrgica se rompeu, exigindo uma nova intervenção de emergência.

O quadro de saúde de Janell se deteriorou rapidamente após a segunda cirurgia, culminando em uma parada cardiorrespiratória. A médica parteira, que dedicou a carreira a zelar pela vida de outras mães, não resistiu e faleceu na virada do ano. Sua filha recém-nascida permanece internada em uma unidade de terapia intensiva neonatal.

Legado de luta e uma ausência inimaginável

O marido de Janell, Daiquan Vernez Smith, expressou sua dor nas redes sociais, descrevendo a perda como "uma ausência inimaginável" e afirmando que o impacto de sua partida será sentido para sempre. Apesar da tragédia que atinge a família, amigos e colegas enfatizam o legado sólido que Janell deixa.

Para eles, ela cumpriu seu propósito ao levantar a voz incessantemente em defesa de cuidados maternos mais seguros, respeitosos e justos. Sua história pessoal, agora marcada pela fatalidade que tanto temia, transforma-se em um símbolo poderoso e doloroso de uma luta que ultrapassa fronteiras, iluminando a disparidade racial persistente nos sistemas de saúde e a urgência de políticas efetivas para mudar essa realidade.