A pitaya, conhecida popularmente como fruta-do-dragão, está vivendo um momento de destaque absoluto no cenário global de alimentos e bebidas. Com sua aparência exótica e sabor suave, ela se transformou em um fenômeno de consumo, registrando crescimentos expressivos e chamando a atenção de especialistas em nutrição e tendências de mercado.
Uma ascensão confirmada pelos números
O sucesso meteórico da pitaia não é apenas uma percepção, mas um dado confirmado por pesquisas de mercado. O relatório Taste Charts 2026, elaborado pela empresa global de nutrição sustentável Kerry, colocou a fruta como uma das grandes estrelas do painel de tendências em sabores. O estudo, que ouviu consumidores e mais de 1.200 cientistas e técnicos especializados, revela um cenário impressionante.
Entre os anos de 2023 e 2025, houve um crescimento anual de 17% no número de produtos lançados com sabor de pitaia. A fruta, de origem mexicana, já era um sucesso consolidado no mercado asiático, principalmente em bebidas refrescantes. Agora, a expansão ganha força na América Latina, com destaque para Brasil e países andinos, indicando seu potencial para se tornar um hit internacional.
O setor de bebidas funcionais e refrescantes ainda é o principal motor dessa demanda, mas a fruta-do-dragão avança com vigor em outros segmentos. Doces e bebidas alcoólicas com o ingrediente estão em alta. No Brasil, as versões alcoólicas com pitaya tiveram um crescimento explosivo de 200% apenas no último ano. Na América Central e no Caribe, o aumento foi de quase 60% no triênio recente.
Nutrição e beleza: o combo perfeito
Para além dos números da indústria, a pitaia conquista os consumidores também in natura, apesar do preço ainda ser uma consideração. "É uma fruta instagramável, com apelo visual e estético", afirma Lara Natacci, nutricionista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban).
Mas a beleza é apenas a ponta do iceberg. A riqueza nutricional da fruta-do-dragão é seu maior trunfo. Ela é uma fonte poderosa de antioxidantes, incluindo a betalaína, um composto pouco comum em outras frutas. "A betalaína combate o estresse oxidativo e tem um efeito anti-inflamatório, algo útil na prevenção de doenças", explica Natacci.
A lista de benefícios continua: a pitaia também oferece oligossacarídeos, substâncias que estimulam o crescimento das bactérias benéficas do intestino. E, para quem busca controle de peso, ela é uma aliada. Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos da USP, 100 gramas da fruta contêm apenas 50 calorias, caracterizando uma baixa densidade energética. Pesquisas recentes ainda associam seu consumo a efeitos positivos para a saúde vascular e cardíaca, graças ao seu mix de antioxidantes.
O futuro saboroso e saudável
A versatilidade da pitaia é outro ponto forte. Seu sabor mais neutro permite que seja consumida pura, em saladas de frutas, ou como base para enriquecer receitas como smoothies. Para a indústria, ela representa a convergência de desejos do consumidor moderno.
Fernanda Fontolan, gerente de marketing em Taste da Kerry para a América Latina, ressalta que o crescimento do sabor em várias regiões demonstra uma forte preferência do consumidor. "Com os dados que fornecemos, as marcas podem se antecipar e proporcionar o que as pessoas realmente buscam: produtos mais saudáveis, saborosos e sustentáveis", afirma.
Seja na prateleira do supermercado, na bebida pronta ou na feira, a pitaya pediu passagem. E essa passagem, alicerçada por seu visual marcante, sabor agradável e um perfil nutricional de alto impacto, promete ser longa e estrondosa, moldando as tendências alimentares dos próximos anos.