Greve dos rodoviários na Grande São Luís continua após audiência sem acordo no TRT
Greve de rodoviários em São Luís continua sem acordo

Greve dos rodoviários na Grande São Luís se estende após fracasso em audiência no TRT

A paralisação dos trabalhadores do transporte público na região metropolitana de São Luís completou cinco dias nesta terça-feira, dia 3, sem perspectivas de solução imediata. Isso ocorreu após mais uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) terminar sem qualquer acordo entre as partes envolvidas.

Negociações emperram sobre reajuste e subsídios

Durante a reunião, foram discutidos dois pontos centrais: o pedido dos rodoviários por um reajuste salarial de 12% e o pagamento de subsídios pela Prefeitura de São Luís e pelo governo do estado às empresas operadoras. O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) apresentou uma proposta de aumento de 4% apenas para o transporte semiurbano, mas o Sindicato dos Rodoviários condicionou a aceitação a uma aprovação em assembleia da categoria, marcada para o início da tarde desta terça.

Para o sistema urbano, nenhuma oferta de reajuste foi feita, mantendo o impasse. Além disso, a questão dos subsídios também ficou emperrada. O SET entregou uma planilha financeira detalhada aos órgãos públicos, solicitando o apoio necessário para manter a operação do transporte. Enquanto o governo estadual afirmou estar analisando o documento, a Prefeitura de São Luís, por meio de sua Procuradoria, alegou que o material deveria ter sido enviado à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), e não à Secretaria de Governo, como ocorreu.

Consequências da greve e medidas judiciais

Com a falta de acordo, a greve prossegue, afetando aproximadamente 700 mil passageiros que dependem do transporte coletivo. A situação persiste mesmo após uma decisão do TRT que determinava a operação de 80% da frota de ônibus, ordem que não foi cumprida, resultando em 100% dos veículos parados.

Em resposta ao descumprimento, o tribunal fixou uma multa diária de R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários. A medida também prevê o bloqueio de recursos da entidade a cada 48 horas de inadimplência, utilizando o sistema BacenJud para assegurar a aplicação da penalidade.

Reivindicações dos trabalhadores e posicionamentos oficiais

Os rodoviários buscam, além do reajuste salarial de 12%, um tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500 e a inclusão de um dependente adicional no plano de saúde. Marcelo Brito, presidente do sindicato da categoria, destacou que uma contraproposta com esses percentuais foi apresentada na audiência anterior, realizada na sexta-feira, dia 30, com os empresários se comprometendo a avaliar sua viabilidade.

Em comunicado, a SMTT afirmou que os pagamentos de subsídios municipais estão em dia e que foram disponibilizados vouchers para corridas por aplicativo aos usuários durante a greve, respeitando decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A secretaria expressou esperança por um acordo rápido para normalizar o serviço.

Já a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) esclareceu que o subsídio estadual é pago regularmente e que as questões trabalhistas são de responsabilidade das empresas, conforme os contratos de concessão. A agência mantém diálogo com os sindicatos para facilitar a retomada das operações.

Próximos passos e impacto na população

Uma nova reunião está agendada para as 16h desta terça-feira no TRT-16, com um prazo até então para a prefeitura analisar a planilha de subsídios. Enquanto isso, a greve continua sem previsão de término, mantendo as linhas urbanas e semiurbanas paralisadas e exacerbando os transtornos para a população da Grande São Luís, que enfrenta dificuldades diárias de locomoção.